(*) Sinézio Santiago
Quando deram o primeiro tiro, os Estados Unidos (EUA) e Israel sabiam que a guerra iria começar e imaginaram um embate rápido e certeiro. Agora, já não sabem como e quando vai terminar. Donald Trump e Netanyahu jogaram os países do Golfo Pérsico em uma situação devastadora. A suposição de que o Irã estaria desenvolvendo uma bomba atômica, mais uma vez faz os EUA atacar a soberania de um país sem qualquer aval do conselho de segurança da ONU e do Congresso Americano.
Por incrível que pareça, só agora os países da Comunidade Europeia estão descobrindo que os EUA e Israel criaram uma guerra que está comprometendo toda a economia global. O G7, grupo de países mais ricos do mundo, falam em ajudar a manter o Estreito de Ormuz aberto e navegável, mas não querem envolver diretamente na guerra.
Pelo Estreito passa, diariamente, 20% de todo petróleo mundial e esta guerra está causando um prejuízo na economia global, que incomoda todas as nações dependentes deste petróleo. Donald Trump e Netanyahu esqueceram de medir os efeitos colaterais desse conflito, e os países, seus aliados no Golfo, estão sofrendo retaliações com ataques a petrolíferas, refinarias e petroleiros que passam pelo Estreito de Ormuz.
Para o Irã, quem tem base militar americana, tornou-se inimigo real. O risco da escalada da guerra é iminente. Aliás, já está escalando, pois o Irã não está dando sinais de recuo e os EUA e Israel falam em enviar soldados e fazer uma invasão por terra. Mas também, corre o risco de perderem vários soldados e para Trump, o prejuízo eleitoral seria grande devido as eleições que acontece em novembro, no meio do mandato.
Só a guarda revolucionária Iraniana tem mais de 140 mil soldados, além de reservistas de sobreaviso. O Irã tem uma população de 90 milhões de habitantes e esse, é o dilema americano em invadir por terra, um país com relevo montanhoso e cheio de cavernas. Ao não medir as consequências do conflito, Donald Trump enfiou no meio de sua guerra particular, países que estão sofrendo sem ter nada a ver com o conflito. O megalomaníaco laranja e alcaide Israelense estão matando quem não tem medo de morrer.
Como o Irã não tem o poderio para enfrentar de frente o poderio americano, ele ataca suas bases em países aliados. Nessa guerra insana e sem fundamento, a ONU tornou-se figurante, inoperante e incompetente ao demonstrar sinais de fraqueza, pois não consegue articular um cessar fogo. Países aliados, tanto de um lado como de outro, não querem se envolver.
As ameaças feitas por Donald Trump a países aliados da OTAN para ajudarem no conflito, só demonstra a incapacidade de um presidente que não sabe medir o peso das consequências. A Carta da OTAN diz que quando um país membro é atacado, automaticamente, todos se consideram envolvidos.
Só que foram os EUA e Israel que invadiram o Irã. Sem saber como terminar a guerra, Donald Trump e Netanyahu deram um tiro nos próprios pés. Afetaram a economia global sem necessidade e, agora, precisam dar uma resposta para amenizar o desgaste e o prejuízo econômico mundial. Como sempre, quem declara guerra, nunca morre no front.
(*) Sinézio Vilela Santiago é aposentado

