(*) Erivelton Braz

Quem acompanha os bastidores da política de João Monlevade já percebe que o clima mudou entre a Prefeitura e a Câmara. Os vereadores têm aumentado o tom contra o governo, em movimentos que vão além do debate institucional e parecem apontar para 2028. Isso é natural em política, afinal, onde há poder, há disputa. E onde há aprovação, há quem queira herdar o capital político.

O prefeito Laércio Ribeiro (PT) foi reeleito com a maior votação da história do município. Apoiado por uma série de partidos e quase 200 candidatos a vereadores, o prefeito conquistou um importante ativo político, construído nas urnas, que lhe confere legitimidade e autoridade.

Assim, prefeito eleito e reeleito é quem governa. Ele pode até negociar, ouvir, dialogar com seu grupo e governo de coalização e deve fazê-lo sempre, mas é ele quem conduz, quem define as ações e quem irá executá-las. O prefeito é o comandante do barco e cabe a ele a tomada das decisões governamentais. Mesmo aquelas que exijam mudanças de nomes à frente de pastas que não estejam funcionando.

Isso é natural em qualquer gestão. Mas o que se vê hoje, no entanto, é um tensionamento que mistura fiscalização legítima com movimentos de afirmação pessoal. Sobretudo, do lado de alguns vereadores. Hoje, alguns parlamentares parecem testar forças, ensaiando discursos duros e “batendo pesado na gestão”. Inclusive, aqueles eleitos no mesmo grupo do prefeito. Eles têm razão?

Bem, pode ser que sim. O governo Laércio tem seus méritos, mas está no quinto ano de um ciclo de oito. Já não se trata mais de início de gestão, tampouco de fase de ajustes. É tempo de entrega mais consistente. Secretários precisam dar resultado, projetos precisam se concretizar, obras iniciadas precisam ser finalizadas e com celeridade.

A cidade carece de uma grande força-tarefa de limpeza urbana, de organização dos espaços públicos, de zelo visível. A percepção cotidiana do cidadão começa pelo básico: rua limpa, obra pronta, atendimento eficiente. E isso passa também no bom relacionamento com os vereadores, que estão nas ruas, ouvindo as pessoas e sentindo suas dores.

Além disso, é fundamental lembrar que a harmonia entre os poderes não é favor, é princípio básico da democracia. Executivo e Legislativo não são adversários institucionais, mas partes de um mesmo sistema. O respeito entre os poderes é condição para estabilidade política e avanço administrativo. Fiscalizar, cobrar e apontar erros, é dever do vereador. Agora, sabotar ou transformar o plenário em palanque permanente não é. Muito menos, querer usar o mandato como trampolim exclusivo para projetos pessoais. O cidadão sabe bem qual político trabalha pela cidade e qual trabalha para si mesmo.

Não se pode esquecer de que política é movimento, é conexão com as pessoas. O governo deve ampliar resultados, ajustar equipes quando necessário e mostrar que o segundo mandato não é zona de conforto, mas etapa decisiva de consolidação de legado. Por outro lado, a Câmara, em vez de ânimos exaltados, deveria agir com maturidade para não transformar divergência em guerra permanente. A cidade só perde com isso. No fim das contas, a população de João Monlevade quer é menos barulho e mais solução.

(*) Erivelton Braz editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação