(*) Sinézio Santiago

Talvez a maioria das pessoas não saiba, mas existem protocolos e normas técnicas que devem ser seguidos pela Vigilância Sanitária (Visa) para aplicação de vacinas no Brasil. E, em João Monlevade, não é diferente de outros municípios do país. Por isso, tudo deve ser devidamente documentado. O papel aceita tudo, vereador Revetrie Teixeira, mas as normas técnicas e os protocolos estão disponíveis para qualquer cidadão no portal da transparência do Ministério da Saúde.

Afinal, o problema é com as vacinas ou com a chefe da Vigilância Sanitária? No afã de fazer politicagem, o vereador em questão acaba deixando a população preocupada com as vacinas que são aplicadas diariamente em quem precisa. No exercício correto de sua função fiscalizadora, o parlamentar deveria ser mais comedido e menos exaltado em suas colocações — até para que a população compreenda, de fato, o que aconteceu.

Ao afirmar que não há uma sala “preparada e apropriada” para a vacinação, o vereador faz uma denúncia vazia, desconectada da realidade. A Vigilância Sanitária, inclusive, dispõe do Vacimóvel — uma van equipada para realizar vacinação em diversos pontos da cidade, como escolas e praças, justamente para alcançar um público maior.

Vale lembrar também que, durante a pandemia de Covid-19, os pacientes foram vacinados em filas de carros, na porta do Pronto Atendimento (PA) e no estacionamento da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, onde as técnicas de enfermagem trabalhavam sob tendas improvisadas. Pergunto: seriam esses locais “preparados” para a vacinação?

O Ministério da Saúde vem investindo fortemente em campanhas de imunização em todo o país, buscando aumentar o índice de vacinação após a queda registrada nos últimos anos. Caso houvesse algum problema na refrigeração das vacinas, é de se acreditar que a Vigilância Sanitária teria responsabilidade suficiente para não aplicá-las na população.
Solidarizo-me com o vereador Revetrie, por ser ele um paciente imunossuprimido — condição que também compartilho. No entanto, as denúncias feitas pelo vereador (de que as vacinas não são seguras porque houve um problema de refrigeração no começo do mês), precisam ser fundamentadas antes de serem divulgadas nas redes sociais e no plenário da Casa, a fim de evitar o pânico e a desinformação. Vacinas salvam, mas desinformação causa enormes prejuízos.

Seria mais prudente agir como outros dois vereadores, Alysson e Marquinho Dornelas, que buscaram informações com embasamento técnico e legal. Eles explicaram à população o que realmente aconteceu. Com isso, tranquilizaram os cidadãos de que não há riscos para quem recebeu os imunizantes. Criticar vacinas ou colocá-las em xeque é uma irresponsabilidade.

(*) Sinézio Vilela Santiago é aposentado