Todo verão, João Monlevade revive o mesmo enredo há anos: sobe a temperatura, cresce o consumo e, pontualmente, a água falta. Nos bairros mais altos e periféricos, o problema se repete com ainda mais força, como se eles estivessem condenados a conviver com torneiras secas, justamente no período de maior necessidade. E quando a chuva chega, vem acompanhada de mais transtornos típicos: adutoras rompidas, bombas danificadas, turbidez elevada e dificuldades no tratamento. É um ciclo perfeito da precariedade.
A Prefeitura tenta apresentar respostas e soluções. Aliás, não apenas essas, mas outras gestões lutam contra essa demanda. Recentemente, o governo construiu e inaugurou reservatórios de 12 mil litros. Mas os problemas continuam em outras regiões. A pergunta que ecoa nos lares monlevadenses é inevitável: Por que continua faltando água? A resposta é incômoda, mas necessária. É porque o problema é estrutural e antigo. Não se resolve um gargalo de décadas com soluções paliativas ou intervenções isoladas.
A cidade precisa encarar, com seriedade, a urgência de se investir em um novo sistema de captação e distribuição moderno e planejado. Falta, sobretudo, uma política de longo prazo para esse assunto. É inadmissível que um município do porte de Monlevade ainda opere no limite da capacidade como era na década de 1970. Além disso, a cidade não pode ficar à mercê de mudanças da temperatura, chuvas, de rompimentos e de equipamentos envelhecidos. A população não pode ser refém de um colapso anunciado ano após ano.
É fato que a crise da água não pode ser naturalizada. Já passou da hora das gestões públicas assumirem que o modelo atual está defasado e buscarem soluções para a demanda. A pauta da água em Monlevade precisa, urgentemente, de um projeto de futuro. Sem planejamento e repetindo velhas fórmulas, o município seguirá repetindo o roteiro de sempre. Água é vida e deve ser tratada como prioridade. Sobretudo, diante dos desafios de mudanças climáticas no planeta e que é um problema de todos.
