(*) Erivelton Braz

Em casos de violência contra a mulher, o culpado é o homem. Nenhuma delas é responsável pelo crime do qual é vítima. Afinal, é o homem que humilha, que grita, o homem que agride, o homem que estupra, o homem que mata. E existe uma palavra que define essas atitudes: crime. Não há outra.

E o crime fala por si. Não é fruto de mal-entendido. Não é desculpa da bebida. Não é porque ficou com ciúmes e perdeu a cabeça. Nenhuma justificativa basta. O homem que comete essas ações é um criminoso e precisa responder como tal.

É óbvio, mas precisa ser dito: uma menina jamais provoca um adulto sexualmente. Jamais. Uma adolescente não é “quase mulher”, independentemente de ter 17 anos. Uma jovem não pede para ser assediada, seja por palavras, beijos forçados, agarrões no transporte público. Nesta semana, uma mulher que voltava de uma viagem de ônibus, adormeceu e acordou com a calça molhada. Um homem que viajava a seu lado teria ejaculado nela. O investigado é Daniel José Soares, de 48 anos, guitarrista da banda Manitu. Ele está preso.
Até quando casos de abusos como esses vão continuar acontecendo? Precisamos

urgentemente rever discursos e, principalmente, atitudes. Basta de jogar a culpa sempre no colo das mulheres. O problema está no homem. Insisto. É o homem quem enxerga uma oportunidade para cometer crimes. É o homem quem, muitas vezes, imagina que a mulher esteja interessada e faz investidas desnecessárias. É ele quem julga a mulher pela roupa. É o homem que aproveita de uma mulher embriagada. Aliás, muitas vezes, é o homem que coloca substâncias para dopá-las e abusar delas.

Nós, enquanto homens, falhamos todas as vezes que esses crimes se repetem. Mesmo que não tenhamos cometido nenhuma dessas atrocidades, falhamos por não impedir. Falhamos por omissão. Falhamos por não ensinar aos meninos como as mulheres devem ser tratadas.

Os números não mentem. Dados divulgados pela Agência Brasil mostram que a escalada da violência contra a mulher no Brasil bateu recordes em 2025. Houve aumento de quase 5% nos feminicídios em relação ao ano anterior, chegando a 1.470 casos (média de quatro mulheres mortas por dia no país). As estatísticas também revelam um quadro estrutural de misoginia, de racismo e desigualdades: a maioria das vítimas é negra e foi morta por parceiros ou ex-companheiros. Diante disso, penso no quanto o homem ainda odeia a mulher. Como pai de menina, fico preocupado com o futuro. Afinal, para onde estamos indo?
Recentemente, no Rio de Janeiro, uma jovem de 17 anos foi atraída para uma emboscada e estuprada por cinco homens. O caso é escabroso e a culpa não é dela por ter confiado no exnamorado para um encontro. E, para quem pense o contrário, o que dizer do caso de uma freira estuprada e assassinada no pátio de um convento? Isso mesmo: uma religiosa foi violentada sexualmente e morta. Será que ela é culpada também?

Por isso, neste domingo (8), quando celebramos o Dia Internacional da Mulher, em vez de apenas distribuir bombons, cartões, flores e postar frases prontas nas redes sociais, vale fazer uma reflexão sobre nossas atitudes. O que você, homem, tem feito dentro do seu próprio círculo para que a violência diminua?

Rir de piadas machistas junto daquele amigão é cumplicidade. Não incentivar denúncias à polícia em casos de violência, não dar ouvidos à vítima ou não reagir diante de uma agressão, mesmo que verbal, também contribui para que o problema continue. A omissão é atitude dos covardes.

Pense: um dia, a vítima pode ser sua mãe, sua irmã, sua filha. A violência contra mulheres é um problema que toca diretamente a vida de todos. A responsabilidade de enfrentá-la começa com os homens. A culpa nunca é da mulher.

(*) Erivelton Braz editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação