(*) Sinézio Vilela Santiago

Os Estados Unidos estão colocando o pavor no mundo com aplicações de tarifas que causam retração na economia de vários países, inclusive no seu. O império americano vem se sentindo ameaçado com o crescimento econômico da China, um dos seus maiores concorrentes. O livre comércio deveria ser uma bandeira única e defendida, principalmente, pelos Estados Unidos. Esse país depende em demasia de produtos de outros países e de imigrantes, que fazem o serviço que o cidadão americano não faz. Por isso, já há várias fábricas paradas devido a falta de mão-de-obra.

O presidente Donald Trump, líder de uma grande potência, não se importa em sacrificar o seu próprio povo. Ele coloca a economia do seu país em risco a todo momento, mesmo tendo uma dívida pública altíssima.

Estudos recentes mostram que a economia Chinesa pode ultrapassar a americana até 2029, pelo simples fato de que, enquanto a América produzia a sua própria guerra e dos seus aliados, a China produzia avanços tecnológicos em várias áreas. Dentre essas, portos, aeroportos e indústrias de produção. Até onde isso vai parar, ninguém sabe, pois Donald Trump é um autocrata disfarçado de democrata, que finge não se intimidar com a afronta a outros países.

O Brasil que sempre foi um parceiro comercial dos Estados Unidos, hoje, é um dos países que teve a maior tarifa aplicada por Donald Trump, mesmo tendo um déficit comercial entre exportação e importação. O Brasil tentou a abertura de canais diplomáticos para discutir as tarifas, mas não conseguiu. Isso pode impactar os negócios da ArcelorMittal, gigante do aço, inclusive a Usina de Monlevade que exporta parte de sua produção para os EUA. Dessa forma, nosso município pode ser impactado por essa decisão do presidente norte-americano.

Para justificar essa tarifa de 50%, Trump usou a desculpa de que o Brasil não respeita os tratados de direitos humanos, devido os processos criminais que envolvem a família Bolsonaro e os presos do dia 8 de janeiro. Até ministros do STF foram sancionados pelo presidente norte-americano. Ele se esqueceu que cada país tem suas leis e que o Brasil adota o princípio da separação de poderes, conforme estabelecido na Constituição Federal. Assim, o Executivo não tem influência nenhuma no Judiciário.
Dessa forma, o estado Brasileiro não pode abrir mão de sua soberania, pois temos uma constituição soberana e as instituições funcionam. O Judiciário é autônomo e não pode se vergar às chantagens de outra nação. O mundo, hoje, vive um período sombrio, onde as democracias são atacadas a todo momento por falta de controle das bigtecs e o excesso de fake news.

O escritor e analista político, Giuliano Da Empoli, no seu livro “Os Engenheiros do Caos”, já alertava para essas mudanças. O Brasil precisa de uma reforma política urgente e isso é pra ontem. É impossível o estado manter essa quantidade de partidos políticos, usufruindo de dinheiro público e perpetuando no poder. Assim, usar a democracia de escudo para dar golpe de estado é um modelo rotineiro de autocratas e ditadores pelo mundo afora.

(*) Sinézio Vilela Santiago é aposentado