João Monlevade tem uma história que merece ser lembrada não apenas pelas conquistas do passado, dos pioneiros como Jean Monlevade e Louis Ensch. Mas pela capacidade de inspirar o presente e orientar o futuro. Essa cidade, que foi construída pelo trabalho, pela indústria e pela força de sua gente, tanto dos escravizados quanto dos trabalhadores que vieram de tantas partes de Minas, do Brasil e do Mundo, não pode se conformar com a falta de grandes debates, iniciativas transformadoras e compromisso com o interesse coletivo. A cidade precisa voltar ao centro das atenções, tanto para ser debatida, quanto para ser pensada e planejada. Afinal, o futuro começa hoje.

Nesta semana, dois acontecimentos ajudam a refletir sobre os caminhos da cidade. De um lado, a Câmara Municipal teve uma reunião suspensa por falta de quórum, em razão da ausência de vários vereadores. De outro, a Assembleia de Deus celebra 90 anos de atuação na região, com uma trajetória que ampliou seu trabalho para diferentes continentes, levando também o nome de Monlevade a outros lugares. A igreja ainda quer uma escola em Monlevade e está construindo outra em Itabira. Isso é um exemplo do que a cidade precisa: ideias e obras para avançar.

São instituições com propósitos distintos, mas os acontecimentos permitem uma reflexão sobre compromisso, presença e capacidade de realização. Monlevade nasceu grande, mas essa herança do passado não garante o futuro. Grandeza também significa enfrentar problemas, planejar e realizar. Câmara, Prefeitura, governos, empresários, instituições e cidadãos precisam recuperar essa ambição. A cidade tem debates sérios, como Agenda Viva, projetos do CP10, universidades e instituições sérias. No entanto, precisa ampliar essas ações, fortalecendo ainda mais o município, por meio de mais cooperação do poder público, altruísmo e compromisso com as próximas gerações.

Olhar para o passado não significa viver dele, mas buscar inspiração para avançar. Monlevade tem história, potencial e gente capaz de construir novas conquistas. E precisa olhar para si para não se apequenar diante dos próprios desafios.