A discussão sobre o estacionamento rotativo voltou à pauta em João Monlevade. A Prefeitura anuncia o início de estudos para avaliar a possibilidade de retomar o sistema de cobrança pelo uso das vagas públicas, sobretudo, na região central da cidade. A demanda, há anos, aparece entre as reclamações de comerciantes, empresários e usuários do centro comercial e já foi alvo de debates e cobranças na Câmara Municipal.
O município informa o contrato da empresa Soluções em Trânsito KM Zero Ltda, no valor de R$59,9 mil para fazer o diagnóstico e apontar alternativas para o estacionamento nas áreas de maior movimento. A primeira reunião de trabalho ocorreu na quarta-feira (30), no Gabinete do Prefeito Laércio Ribeiro (PT). Conforme a administração, o estudo terá até 60 dias para ser concluído.
Porém, segundo a administração, não significa que a implantação do rotativo já esteja decidida. “Neste momento, estamos fazendo um estudo para avaliar a viabilidade de implantação do estacionamento rotativo. Queremos entender onde existe maior demanda e, a partir de dados técnicos, avaliar quais alternativas podem ser adequadas para João Monlevade. Uma eventual decisão precisa considerar as características do município e o interesse da população”, destacou o prefeito Laércio Ribeiro (PT).
Demanda antiga
A ausência de um sistema de controle das vagas é apontada há anos como um dos fatores que dificultam a circulação e o acesso ao comércio, principalmente, nas regiões mais movimentadas. A reclamação principal é a de que veículos permanecem estacionados por longos períodos em áreas de grande procura, enquanto motoristas que precisam fazer compras, utilizar serviços ou resolver questões rápidas encontram dificuldade para estacionar. Outro problema são os vendedores que estacionam seus carros com produtos a serem vendidos, ocupando vagas. O estacionamento rotativo foi suspenso em Monlevade em maio de 2023.
Estudo vai mapear áreas de maior pressão
O levantamento, conforme o governo, deverá identificar onde há maior procura por vagas e quanto tempo os veículos permanecem estacionados. Também serão analisadas a quantidade de vagas disponíveis, a rotatividade, as condições de circulação e a sinalização.
Inicialmente, o trabalho terá como referência os logradouros que integravam o antigo sistema regulamentado pelo Decreto Municipal nº 76/2016. Outras áreas poderão ser incluídas a partir dos levantamentos de campo, como as avenidas Gentil Bicalho, Castelo Branco e Armando Fajardo. A empresa também deverá analisar regiões com concentração de comércio, serviços, bancos, unidades de saúde e órgãos públicos. Diferentes modelos de funcionamento serão estudados, incluindo formas de controle das vagas, meios de pagamento, sinalização, regulamentação e possíveis valores de tarifa.
Para o secretário municipal de Planejamento, Fabrício Lopes, o estudo pretende colocar números em uma discussão que já se prolonga no município. “A ideia é transformar uma discussão que muitas vezes fica apenas no campo das opiniões em uma análise baseada em dados. Vamos conhecer a ocupação das vagas, a rotatividade, os pontos de maior pressão e as diferentes possibilidades de operação. Com essas informações, o município terá melhores condições para avaliar o que é viável e adequado para a cidade”, explicou.
O coordenador do Settran, José Jayme Figueiredo Franco, afirma que a questão não se limita à disponibilidade de vagas. “O estacionamento está diretamente relacionado à mobilidade urbana. Por isso, precisamos olhar não apenas para a quantidade de vagas, mas também para o tempo de permanência dos veículos, a circulação, a sinalização e as características de cada região. O estudo vai nos dar esse diagnóstico de forma mais precisa”, afirmou.


