O que começou em uma sala alugada em uma escola estadual em Nova Era, hoje atravessa oceanos e coleciona pódios internacionais. O projeto Na Mochila, idealizado e coordenado pelo professor de matemática Hailisson Ferreira, transformou-se em uma ferramenta de impacto social que utiliza a robótica e a tecnologia para abrir novos horizontes para jovens da região do Médio Piracicaba. Confira a história no quadro “Erivelton Braz Entrevista”.
Haillison relembra que a semente da iniciativa foi plantada em 2020, quando ele, técnico de informática desde meados dos anos 90, teve contato com um livro sobre Scratch — uma linguagem de programação por blocos. Movido pela convicção de que a educação é o único caminho para transformar uma nação, ele decidiu criar uma escola de robótica para democratizar o acesso a tecnologias que, embora essenciais, muitas vezes são inacessíveis devido ao alto custo. “Eu sempre acreditei no treinamento; o dom é 1% e 99% é o esforço”, afirma o coordenador.
O projeto, que hoje atua como uma organização não governamental (ONG) do terceiro setor, expandiu suas fronteiras. Hoje, além de João Monlevade, o ensino de robótica está em São Domingos do Prata, Nova Era, Itabira e há conversas para chegar a São Gonçalo do Rio Abaixo.
A metodologia vai além do ensino técnico de engenharia, elétrica e programação; o foco principal é o desenvolvimento de competências socioemocionais. Nas aulas e competições, os alunos aprendem a trabalhar em equipe, a gerir a ansiedade e, sobretudo, a lidar com a frustração. “Na categoria “Missão Impossível”, por exemplo, os estudantes têm apenas três horas para resolver um desafio surpresa, treinando a capacidade de análise crítica sob pressão”, informa Haillison.
O reconhecimento internacional veio de forma meteórica. Em 2023, uma equipe do projeto conquistou a medalha de prata na Coreia do Sul, competindo com potências tecnológicas como a China. Mais recentemente, o “Na Mochila” levou uma delegação de 75 pessoas para o Canadá, de onde retornaram com impressionantes 18 pódios. Entre os destaques está a equipe “Maria Buts”, composta inteiramente por meninas, que conquistou o terceiro lugar em solo canadense, reforçando o incentivo à participação feminina na tecnologia.
Manter um projeto desse porte, no entanto, exige uma engenharia financeira complexa. Hailisson explica que a ONG não retém recursos públicos diretos; as parcerias com o Estado de Minas Gerais, com Prefeituras locais, escolas particulares e empresas parceiras, é o que ajudam a manter a iniciativa, além da doação de “padrinhos” e “madrinhas”.
O futuro do “Na Mochila”, já tem destino traçado: a Malásia, em agosto de 2025. A meta é levar uma delegação ainda maior, composta por 18 times e cerca de 80 competidores. Paralelamente, Hailisson trabalha na estruturação de um Fablab — um espaço de tecnologia aberto à comunidade. Contudo, o maior desafio continua sendo a escassez de mão de obra qualificada. Por isso, o projeto investe na formação de seus próprios professores, pagando inclusive cursos de graduação e pós-graduação para seus colaboradores.
Para Hailisson Ferreira, o sucesso não é medido apenas pelos troféus, mas pela formação de cidadãos éticos e preparados para as universidades federais e para o mercado global. “O sonho do Na Mochila é entregar para a sociedade um ser humano completo”, conclui. Em uma região marcada pela indústria mineradora, o projeto prova que o talento humano, quando lapidado pela educação e pela oportunidade, é a tecnologia mais avançada que o Médio Piracicaba pode exportar para o mundo. Veja a entrevista completa no youtube do Jornal A Notícia


