Os trabalhadores da unidade da ArcelorMittal em João Monlevade aprovaram, em assembleia realizada na quarta-feira (24), a proposta para o novo Acordo Coletivo dos Turnos Ininterruptos de Revezamento. Com a decisão, encerra-se um longo processo de negociações que se arrastava desde o fim de  fevereiro e mobilizou empregados, sindicato e empresa ao longo dos últimos meses.

Ao todo, 341 trabalhadores participaram da votação organizada pelo Sindmon-Metal. Destes, 300 votaram pela aprovação da proposta e 41 manifestaram voto contrário. O acordo é resultado de cinco rodadas de negociações entre representantes da empresa e do sindicato. O impasse começou quando expirou o acordo anterior e as partes iniciaram as discussões para a definição do novo regime de trabalho na Usina.

Desde o início das tratativas, a principal reivindicação apresentada pelos trabalhadores era a implantação da escala 4×4 em jornadas de 12h, modelo em que o empregado trabalha durante quatro dias consecutivos e folga nos quatro dias seguintes. O formato já é adotado em diversas unidades industriais do país e era defendido por parte significativa dos trabalhadores da usina como alternativa para ampliar os períodos de descanso e proporcionar melhor organização da rotina profissional e familiar.

Segundo os termos aprovados em assembleia, a jornada efetiva será de 10 horas e 45 minutos de trabalho, acrescida de uma hora destinada à refeição e 15 minutos de intervalo, além do fornecimento de lanche aos trabalhadores abrangidos pelo acordo. Na parte econômica, o entendimento prevê o retorno do adicional de turno de 9,5% para os empregados inseridos no regime de revezamento. Por outro lado, a vantagem pessoal de 11,7%, prevista em acordos anteriores para parte dos trabalhadores, não foi mantida na proposta final aprovada, apesar de ter sido tema das negociações entre sindicato e empresa.

Negociações e “turno fixo”

Enquanto as negociações avançavam sem consenso, foi implantado provisoriamente o sistema de turnos fixos, encerrando temporariamente o modelo tradicional de revezamento. Com isso, as equipes passaram a atuar em jornadas permanentes nos horários de 7h às 15h, de 15h às 23h e de 23h às 7h, sem a alternância periódica entre os turnos.

A mudança alterou significativamente a rotina dos trabalhadores abrangidos pelo acordo e teve impacto direto na remuneração de parte dos empregados. Por exemplo, os profissionais alocados no turno das 7h às 15h, deixaram de receber adicionais relacionados ao trabalho noturno e a parcelas vinculadas ao regime de revezamento anteriormente praticado.

O cenário contribuiu para ampliar a pressão pela definição de um novo acordo e para fortalecer a defesa da implantação da escala 4×4 como solução para o impasse. As negociações também foram acompanhadas por mobilizações promovidas pelo sindicato ao longo dos últimos meses. Em uma das ações, na portaria da usina, dirigentes sindicais de diversas categorias da região participaram do ato em apoio às reivindicações dos trabalhadores.

“Vitóra para a categoria”

Para o presidente do Sindmon-Metal, Flávio Cordeiro, a aprovação representa uma conquista importante para a categoria. Para ele, o resultado é fruto da mobilização dos trabalhadores e da atuação do movimento sindical ao longo das negociações. “A gente considera uma vitória muito importante para a categoria, fruto do empenho dos trabalhadores e também do empenho do movimento sindical como um todo, especialmente da CUT Vale do Aço, que nos ajudou muito durante esse processo. Apesar de não termos alcançado 100% do pleito apresentado pelo Sindmon-Metal e pelos trabalhadores, porque tivemos que fazer algumas concessões no caminho, inclusive, em relação à vantagem pessoal de 11,7%, entendemos que foi uma vitória”, afirmou.

Segundo Flávio, o acordo mantém uma trajetória  do sindicato de conquistar avanços pioneiros para os trabalhadores do setor de longos da siderurgia brasileira. “Mais uma vez, o Sindicato Metalúrgico de João Monlevade inaugura um novo benefício para o setor de longos. Foi assim com o cartão alimentação, quando fomos os primeiros a implantar esse benefício no setor em todo o Brasil e, hoje, todas as unidades possuem o cartão. Agora, estamos inaugurando uma jornada que era o principal pleito dos trabalhadores e que diz respeito ao convívio social, ao convívio familiar, à ampliação das folgas aos finais de semana e a melhores condições de trabalho. Consideramos, sim, uma vitória muito expressiva”, destacou o dirigente sindical.

Com a aprovação em assembleia, o Sindmon-Metal informou que dará sequência aos procedimentos necessários para a formalização do acordo coletivo. “Conforme previsto, a empresa terá até 30 dias, contados a partir da assinatura do documento, para implantar oficialmente o novo regime de trabalho”, informa Flávio Paiva.