As declarações feitas pelo padre Jefferson Cruz Veronês durante a missa do último domingo, ao orientar os fiéis a não confiarem na imprensa de João Monlevade, merecem reflexão. Ao desacreditar de forma generalizada os veículos de comunicação e seus profissionais, o sacerdote ultrapassa o campo da crítica legítima e contribui para enfraquecer uma instituição fundamental à democracia.
É claro que a imprensa não está acima de questionamentos. Afinal, erros podem ocorrer e devem ser corrigidos com transparência. No entanto, existe uma diferença entre contestar uma reportagem específica e lançar suspeitas sobre todo o trabalho jornalístico desenvolvido na cidade.
Há décadas, a imprensa monlevadense exerce uma função pública essencial: informar, fiscalizar, registrar a história local e dar voz à comunidade. Jornalistas e demais profissionais atuam guiados por princípios éticos, pela responsabilidade social e pelo compromisso com a verdade dos fatos, valores que encontram profunda sintonia com os ensinamentos cristãos.
Causa estranheza que tal discurso parta justamente de uma liderança religiosa. Mais ainda quando se observa a relação histórica entre os veículos de comunicação e a Paróquia São José Operário. Ao longo dos anos, jornais, rádios e portais deram ampla divulgação às campanhas e mobilizações em favor da revitalização da Matriz São José Operário, contribuindo para informar e sensibilizar a população sobre a importância daquele patrimônio religioso e cultural.
Por isso, é injusto transformar em alvo de desconfiança os mesmos veículos que tantas vezes deram voz às necessidades da Igreja. Divergências são naturais e devem ser resolvidas por meio do diálogo e do esclarecimento, jamais pela desqualificação indiscriminada.
O A Notícia reafirma seu compromisso ao longo de 42 anos de história, de promover um jornalismo ético e responsável. Espera-se que a Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano reflita sobre a gravidade do episódio e reafirme a importância do respeito mútuo entre Igreja e imprensa, sempre em favor da verdade, da responsabilidade e do interesse público.



