(*) Geraldo Eustáquio Ferreira
13 de junho: festa de Santo Antônio na Divisão dos Menores do Seminário de Mariana. Dos longes de minha infância vêm-me hoje à lembrança as tentativas do Padre Silva, disciplinário, de ensinar-nos uma paródia para cantar nos festejos daquele longínquo 1958.
Lavrada em cima da melodia americana denominada Bring back my Bonnie to me – informação que busquei recentemente na internet – não me lembro mais se a executamos realmente. A primeira estrofe e o refrão ficaram, no entanto, indelevelmente registrados em minha memória, e não poucas vezes eu os trauteava para meus filhos como cantiga de ninar.
Agora, preciso contar que o Bairro República, onde resido em João Monlevade, tem como padroeiro ninguém mais que o santo querido de minha adolescência, a quem o povo dedicou modesta, mas singela capelinha, hoje, adornada de flores e bandeirolas para a festa do padroeiro, programada para amanhã (13) e antecipada para as 16 horas, para não conflitar com o horário do jogo de estreia do Brasil da Copa.
Ora, pois. Anos atrás, instado pela comunidade a providenciar um canto popular para a festa do Santo, aprouve-me, a partir da primeira estrofe e refrão, orquestrados pelo querido Padre Silva, criar uma composição que vem sendo cantada todos os anos em nossa comunidade, treze dias festivamente reunida em torno do padroeiro.
Também não sei por que motivo, somente hoje compartilho a cançãozinha gostosa que o povo inteiro canta na chegada da procissão. Não sei se vão gostar, mas os ecos dessa melodia, que sempre brincaram em minha memória, percorrem há quase vinte anos as ruas de meu bairro. Apreciem sem moderação:
“A noite surgiu bela e fria
Num manto crivado de estrelas.
Do céu Santo Antônio sorria
Olhando pra suas ovelhas!
Blim! Blão! Blim! Blão!
Os sinos repicam em carrilhão.
Blim! Blão! Blim! Blão!
Os sinos do meu coração!
Fiéis piedosos chegavam
De longe, em feliz romaria.
A Santo Antônio louvavam
Com cantos de viva alegria.
Da bruma de junho orvalhada,
A humilde capela sorria.
À luz do luar prateada,
A todos, feliz, acolhia.
No bairro, o povo reunido,
Comunidade abençoada,
Festeja o patrono escolhido,
E o segue em fiel caminhada.
Louvemos ao Cristo Senhor,
A bênção celeste pedindo.
E Deus nos atende com amor,
Pois vê Santo Antônio sorrindo”.
Espero que o bom Padre Silva (Francisco Xavier da Silva), também professor de Literatura, me perdoe a ousadia de complementar seus antigos versos com meus versos de pé quebrado. E o meu prezado leitor, se curte uma festa junina, tente cantar o “hino” (é assim que minha comunidade o chama), escorado no “play back” da canção acima citada. Será uma boa forma de inaugurar o período das festas juninas.
(*) Geraldo Eustáquio Ferreira é professor aposentado e grande conhecedor da história de João Monlevade

