O presidente da Câmara Municipal de João Monlevade, Fernando Linhares (Podemos), fez duras críticas à Prefeitura em relação à organização da Cavalgada de Monlevade 2026. Durante a reunião ordinária dos vereadores realizada nesta quarta-feira (10), ele afirmou que o evento deverá manter a cobrança de ingressos, ao contrário da proposta dele que é a entrada gratuita.

Em sua fala na sessão da Câmara, Linhares destacou que havia apresentado um requerimento defendendo a gratuidade da cavalgada e disse ter se sentido desrespeitado por não ter sido consultado nas discussões sobre o formato do evento. Segundo ele, a Prefeitura promoveu reuniões com representantes do Clube do Cavalo, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar, mas não o convidou para participar das tratativas. “Infelizmente nós não teremos em Monlevade uma cavalgada gratuita, e eu não concordo com isso. Eu acho que a Prefeitura tinha condições sim de fazer uma cavalgada gratuita. Se tivesse me chamado para conversar, ao invés de fazer reunião de forma sorrateira, eu teria apresentado soluções”, declarou.

O vereador afirmou ainda que chegou a se comprometer a ajudar financeiramente o município para viabilizar a gratuidade da festa. Segundo ele, a exclusão das discussões representou uma falta de respeito, especialmente, porque a proposta inicial para o evento gratuito partiu de sua iniciativa. “O pedido foi meu, o requerimento foi meu, a ideia foi minha. Eu me comprometi a ajudar financeiramente a Prefeitura para que a cavalgada fosse gratuita. Se a preocupação era a segurança, eu poderia contribuir porque sou da área da segurança e conheço o assunto”, afirmou.

Ingresso social

Durante o pronunciamento, Fernando Linhares disse compreender a preocupação dos organizadores com a segurança e com o controle do público, mas argumentou que existiam alternativas para manter a entrada gratuita sem comprometer a organização do evento. Como exemplo, ele sugeriu a adoção de um sistema de ingresso social, com troca de alimentos não perecíveis por entradas numeradas e controladas por QR Code ou código de barras. “Era simples. Definia-se uma capacidade máxima de público e distribuíam-se ingressos mediante a doação de um quilo de alimento. Dessa forma, a Prefeitura controlaria o acesso e ainda ajudaria entidades e famílias que precisam desses alimentos”, explicou.

“Cavalgada no JK é aberração”

Outro ponto que gerou forte reação do parlamentar foi a possibilidade de a Cavalgada 2026 ser realizada em uma área localizada atrás do Hiper Comercial Monlevade, no bairro JK. Embora a definição oficial ainda não tenha sido anunciada pela Prefeitura, Linhares afirmou que a alternativa estaria sendo cogitada e classificou a hipótese como inadequada. “Isso é uma aberração. É dar um tapa, é cuspir na cara da sociedade”, afirmou.

O vereador argumentou que a região já enfrenta problemas relacionados ao trânsito, mobilidade e reclamações frequentes da população. Ele alertou que, caso o local seja confirmado, pretende buscar medidas legais para impedir a realização do evento naquela área. “Se aceitarem fazer a cavalgada naquele local, eu serei um dos primeiros a procurar o Ministério Público para questionar essa decisão. Precisamos agir com responsabilidade e pensar nos impactos para a cidade”, declarou.

Alternativas

Fernando Linhares também contestou a ideia de que João Monlevade possua poucos espaços aptos a receber eventos de grande porte. Entre as alternativas citadas, ele defendeu a utilização do estádio Louis Ensch para fazer a festa. Para o presidente da Câmara, a estrutura poderia ser aproveitada para sediar a cavalgada sem gerar transtornos à população e com custos mais acessíveis para os participantes. “Dizem que não existe outro local, mas isso não é verdade. O estádio poderia ser utilizado. O importante é fazer o evento com responsabilidade, segurança e respeito à população”, concluiu o vereador.
Até o momento, a Prefeitura de João Monlevade não divulgou oficialmente o formato definitivo da Cavalgada 2026, nem confirmou o local onde o evento será realizado.