O problema do descarte irregular de resíduos voltou a repercutir na Câmara Municipal de João Monlevade. Em um discurso contundente, o vereador Marquinho Dornelas (Republicanos) externou sua indignação com a falta de colaboração de parte da população em relação aos dias e horários da coleta de lixo na cidade.

De acordo com o parlamentar, a sujeira acumulada nas ruas, muitas vezes, decorre da falta de conscientização e do erro direto dos próprios munícipes. “Precisamos desenvolver algum projeto para, de alguma forma, notificar e multar essas pessoas que estão colocando o lixo fora do dia de recolhimento”, propôs.

Dornelas relatou uma fiscalização recente que fez após ser acionado por um morador revoltado. Segundo o vereador, a região visitada conta com coleta regular às segundas, quartas e sextas-feiras. No entanto, em plena terça-feira, dia em que o caminhão não passa, a esquina da residência do denunciante estava tomada por detritos. “Tem uma placa de ‘proibido jogar lixo’ na esquina da casa dele, e está parecendo que está escrito: ‘favor jogar lixo aqui na hora que você quiser’. O normal é você colocar o lixo para fora no dia do recolhimento”, desabafou o vereador.

Flagrantes

Durante a visita ao local, o parlamentar afirmou ter presenciado cenas inacreditáveis de desrespeito à vizinhança. Enquanto conversava com moradores, viu cidadãos saindo de suas casas para depositar sacolas de lixo na calçada alheia. Além do lixo doméstico, a situação escalou para o descarte de móveis velhos: “Pela madrugada ele me mandou a foto: tem um sofá no lugar do lixo. Virou um bota-fora”, lamentou.

O cenário descrito pelo vereador na manhã seguinte foi de total insalubridade, com sacolas estouradas e resíduos íntimos e de higiene expostos na calçada. Dornelas destacou o impacto disso na vida dos moradores locais, citando o mau cheiro causado pelo chorume e o fato de que uma idosa de 80 anos, residente da área, frequentemente se vê obrigada a limpar a sujeira deixada pelos outros.

Responsabilidade

O vereador fez questão de isentar os trabalhadores da limpeza pública e o Executivo pelo caos gerado pelo descarte incorreto. Ele reforçou que os garis têm o dever de recolher o lixo ensacado no dia correto da rota, e não o de varrer sujeira acumulada por descumprimento do cronograma. “A cidade fica suja e a culpa não é do prefeito, não é dos vereadores. A cidade está suja, por vezes, porque os munícipes não estão tendo educação para jogar o lixo no lugar certo, na hora certa e no dia certo”, afirmou.

Como solução para o problema crônico, Marquinho Dornelas sugeriu uma ação conjunta entre o Legislativo e o Executivo. Ele defendeu que a Prefeitura realize campanhas intensas de informação e propôs que a Câmara desenvolva um projeto de lei focado em punições mais severas. O parlamentar sugeriu a instalação de câmeras de monitoramento nos pontos críticos da cidade, buscando o apoio da Polícia Militar caso necessário, para identificar os infratores, concluiu Dornelas, pedindo o apoio dos demais parlamentares para o tema.