O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de João Monlevade (Sindmon-Metal), Flávio Cordeiro de Paiva, participou de uma manifestação na sede mundial da ArcelorMittal em Luxemburgo. Ele viajou ao grão-ducado europeu para representar o Brasil no Dia Global de Ação, que denuncia alegadas más práticas contra trabalhadores da companhia e exige respeito à categoria. Segundo o Sindmon-Metal, mais de 100 trabalhadores e sindicalistas, de diferentes países, integraram o ato.

Conforme a rede social do sindicato, o Dia Global de Ação aconteceu enquanto a sede mundial da ArcelorMittal recebia a assembleia de acionistas da companhia, líder internacional na fabricação de diferentes tipos de aço. Durante a manifestação, os sindicalistas entregaram documentos aos investidores da multinacional. Segundo os integrantes do movimento, as queixas não são isoladas, mas fazem parte de uma política global da empresa.

Reclamações

Entre as reclamações apresentadas durante o Dia Global de Ação, estão as mais de 300 mortes consideradas evitáveis de trabalhadores na última década, e o corte ou transferência de até 9,5 mil empregos. Os manifestantes também se queixam da falta de diálogo da companhia com sindicatos e desrespeito à representação dos trabalhadores. Eles também denunciam a prioridade ao lucro, com bilhões destinados a acionistas, enquanto trabalhadores enfrentam perdas, e a diferença entre o discurso da empresa e a realidade vivida no chão de fábrica.

Um dos motes do ato foi “ArcelorMittal, respeite seus trabalhadores! Eles são seu principal ativo!”. Os manifestantes também pediram pelo fim da desindustrialização. Flávio Cordeiro aproveitou para reforçar a campanha de diferentes entidades sindicais brasileiras para reduzir a jornada de trabalho conservando os salários e os direitos atrelados.

Turno fixo

Conforme o A Notícia vem retratando, a Usina de Monlevade da ArcelorMittal vive há dois meses sob uma indefinição. Em 28 de fevereiro, expirou o acordo entre a companhia e o sindicato sobre a jornada de trabalho dos trabalhadores em revezamento, o conhecido “turno”. A empresa defende a continuidade do modelo 6-3-3, enquanto o Sindmon-Metal advoga pelo regime 4-4, aprovado em assembléia da categoria. Sem acordo, vigora desde março o regime de turno fixo, no qual as turmas trabalham sempre no mesmo horário, sem alternância. O sindicato luta para extinguir essa escala de expediente, considerando o turno fixo muito desgastante para o funcionário, que também sofre perdas em seus vencimentos, caso seja escalado para o turno das 7 às 15 horas. Conforme anunciado, uma reunião para tratar esse assunto está marcada para a próxima quinta-feira (7).