A realização de 1.220 mamografias em João Monlevade, ao longo dos meses de março e abril, merece reconhecimento. Afinal, em uma cidade do porte de Monlevade, ultrapassar a marca de mil exames em dois meses é, sim, um resultado expressivo. Representa avanço concreto na redução de filas, acesso ampliado ao diagnóstico e, sobretudo, a possibilidade real de salvar vidas das mulheres por meio da detecção precoce do câncer de mama.
Enquanto isso, o Brasil ainda enfrenta dificuldades históricas na cobertura desses exames. Dados do Instituto Nacional de Câncer indicam que uma parcela significativa das mulheres na faixa etária recomendada, entre 50 e 69 anos, não realiza a mamografia na periodicidade ideal.
Se por um lado o número alcançado em Monlevade é relevante, por outro, ele também revela o tamanho do desafio. Afinal, quantas dessas mais de 1200 mulheres estavam aguardando os exames? E há quanto tempo? E quantas ainda seguem fora da rede de prevenção?
Outro aspecto que merece destaque da ação é o simbolismo do Mês da Mulher. Importante aproveitar datas comemorativas e fazer delas um marco importante. Do contrário, muitas vezes, elas correm o risco de se tornarem apenas gestos protocolares. Mas quando são acompanhadas de ações concretas, como esse mutirão, elas cumprem o papel fundamental de ampliar o acesso à saúde.
Dessa forma, ofertar exames de mamografia é uma iniciativa que precisa estar disponível o ano inteiro. Sobretudo, com regularidade, planejamento e estrutura para possibilitar o acesso a quem mais precisa. Oferecer o cuidado na hora certa, sem dúvidas, é um grande ganho para a saúde das mulheres.

