A Prefeitura de João Monlevade enviará à Câmara Municipal, na próxima semana, o projeto de lei que autoriza a cessão de uso do segundo andar da Secretaria Municipal de Saúde para a Associação São Vicente de Paula, mantenedora do Hospital Margarida. A medida é considerada fundamental para que avance o projeto de implantação de uma unidade de atendimento oncológico no município.

A proposta prevê que o espaço, localizado no prédio do antigo Pronto Atendimento (PA), no bairro Belmonte, seja adaptado para abrigar um serviço de quimioterapia gratuito, via SUS. O projeto de adequação do ambiente já está elaborado, contemplando intervenções estruturais necessárias para atender às exigências sanitárias e técnicas de funcionamento.

Parceria regional

A iniciativa envolve uma articulação entre o Hospital Margarida e o Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD), de Itabira, que já possui habilitação para atuar na área de oncologia e deverá oferecer o suporte técnico ao serviço. A operação local ficará sob responsabilidade da Associação São Vicente de Paula.

No fim do ano passado, o prefeito Laércio Ribeiro (PT) informou que a proposta estava em fase de diálogo técnico e político. A intenção é transformar o segundo pavimento do prédio, que possui cerca de 2.500 metros quadrados e atualmente está subutilizado, em uma extensão hospitalar voltada ao tratamento oncológico. A criação da unidade deve beneficiar pacientes de João Monlevade e de cidades da região, reduzindo a necessidade de deslocamentos frequentes para outros municípios em busca de quimioterapia.

Adequações estruturais

Por se tratar de um prédio antigo, sem intervenções significativas há mais de duas décadas, o espaço precisará passar por adaptações importantes. O estudo arquitetônico preliminar prevê, entre outras medidas, o isolamento da área, a criação de uma nova entrada por rua transversal e a implantação de rampa de acesso para ambulâncias e veículos do transporte de saúde.

Segundo o Executivo, o município não teria condições de arcar sozinho com os investimentos necessários. Por isso, a proposta estabelece que a estruturação e adaptação do local fiquem sob responsabilidade do grupo hospitalar parceiro. Ainda não foram divulgados valores, modelo de custeio ou detalhes operacionais da futura unidade.

Tramitação e articulações

Conforme apurado, o projeto de lei que autoriza a cessão do espaço público já está pronto e deve começar a tramitar na Câmara na próxima semana. A expectativa é que a matéria seja analisada pelas comissões antes de seguir para votação em plenário. O vereador Vanderlei Miranda (Podemos) já manifestou a intenção de propor que o centro de quimioterapia receba o nome de Maria Luzia de Oliveira, a “Luzia do Cartório”, personalidade histórica do município.

As primeiras articulações para viabilizar o projeto envolveram lideranças políticas e representantes da área da saúde. Se aprovado, o projeto representará um avanço significativo na oferta de tratamento oncológico no Médio Piracicaba, ampliando o acesso e oferecendo mais dignidade aos pacientes da região.