João Monlevade não pode se dar ao luxo de assistir, passivamente, à deterioração de um de seus espaços mais simbólicos e importantes. A Igreja São José Operário, símbolo da cidade, é referência cultural e histórica que nasceu e cresceu em torno do trabalho, da fé e da união de seu povo. E justamente agora, é a essa união que está em falta para preservar o templo.
O alerta feito pelo padre Jefferson Veronês nas últimas semanas é sério e ninguém parece ouvir. O templo está desabando, segundo o religioso. Os riscos apontados e identificados em áreas externas, especialmente próximos ao sistema de drenagem de águas pluviais, e a precariedade da instalação elétrica, antiga e com fiação de tecido, acendem um sinal de alerta que não pode ser ignorado.
Porém, diagnósticos preliminares de vistorias, realizadas no ano passado, apontam que a estrutura principal do templo não apresenta danos graves, o que é um alívio. Mesmo assim, foi feita uma interdição parcial pela Defesa Civil. Mas isso não é suficiente.
Em novembro do ano passado, ocorreu uma articulação entre Prefeitura, Câmara e Fundação Casa de Cultura. O objetivo era buscar, de forma coletiva, a preservação do templo. Porém, nada de efetivo foi realizado, além de uma vistoria e interdição da escadaria.
O patrimônio histórico, protegido e tombado por Lei, precisa de ações concretas. Sobretudo, com a participação do poder público, privado e envolvimento da comunidade. Além disso, é preciso a participação e ajuda da ArcelorMittal, vizinha da igreja, e também da Diocese, entre outros setores.
Preservar a Igreja São José Operário é um compromisso com João Monlevade. Portanto, deve ser pauta de todos. Afinal, uma cidade que não cuida de sua memória compromete e ameaça o seu futuro.
