Os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), divulgados nesta semana pelo Ministério da Educação, acendem o alerta e deveriam preocupar a sociedade brasileira. Conforme enfatizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), cerca de 30% dos estudantes que se formaram no ano passado graduaram-se em instituições com ensino considerado insuficiente ou crítico. São cerca de 13 mil médicos recém-formados, chegando ao mercado, graduados em cursos ineficientes em todo o país. A maioria dos cursos é da rede privada.

No Brasil, vários cursos superiores foram abertos sem ofertar a devida qualidade, atraindo estudantes que podem pagar pela formação. Os pais orgulham-se que o filho será “doutor”, mas, na prática, o jovem terá uma formação inferior, entrando despreparado no mercado de trabalho. O diploma está democratizado; o conhecimento, não.
Por isso, há propostas para instituir o Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed) como requisito obrigatório para que novos médicos obtenham registro profissional nos conselhos regionais de Medicina. Afinal, para qualquer trabalho, uma capacitação ineficiente torna-se uma armadilha. Mas na Medicina, que envolve vidas humanas, essa deficiência pode torna-se criminosa. Um médico com má preparação pode matar o seu paciente.

O governo precisa apertar as regras para o ensino universitário, exigindo qualidade e extinguindo os cursos que não comprovarem excelência acadêmica. A sociedade e o poder público não podem ser cúmplices da mediocridade e do oportunismo de alguns. Políticos anunciam em planos de governo a abertura de faculdades e acesso ampliado ao Ensino Superior. Mas, muitas vezes, após instalados, não olham para a estrutura, qualidade do ensino e o funcionamento adequado. Isso precisa mudar. Do contrário, dinheiro público, votos e diplomas podem acabar manchados pelo sangue de pessoas inocentes. Diplomas medíocres ameaçam toda a sociedade.