O ano novo mal passou da primeira quinzena e já anuncia um período decisivo. Em 2026, o Brasil terá eleições gerais para a escolha de deputados estaduais, federais, senadores, governadores e presidente da República. Mais do que nunca, será necessário saber votar e votar bem.

O cargo de deputado federal tornou-se especialmente cobiçado nos últimos anos, sobretudo em razão das emendas parlamentares milionárias que cada mandato concentra. Diante disso, é fundamental que o eleitor faça um exercício simples, porém necessário: em quem você votou para deputado federal em 2022? Que benefícios esse parlamentar trouxe para sua cidade? Em quais pautas se posicionou? Como votou em temas centrais que impactam diretamente a vida da população? As mesmas perguntas valem para o deputado estadual. Ele merece um novo voto? Esteve presente? Defendeu os interesses da região?

Essas questões precisam orientar a escolha do eleitor. Votar por ideologia é legítimo, mas ideologia vazia não resolve problemas concretos. João Monlevade, assim como outras cidades do Médio Piracicaba, concedeu milhares de votos a deputados que não são da região. O que eles devolveram em contrapartida? Quais investimentos chegaram? Quais lutas foram assumidas?

Daqui a poucos meses, esses parlamentares voltarão pessoalmente ou por meio de intermediários pedindo novamente o voto. Cabe ao eleitor saber cobrar, questionar e exigir respostas. É por isso que se torna cada vez mais urgente eleger um deputado federal com identidade regional, que conheça a realidade local, esteja presente e possa ser cobrado. Mesmo quem não gosta de política precisa reconhecer: é no Congresso Nacional que se definem os rumos do país. E uma região com cerca de meio milhão de habitantes segue sem um representante legítimo na Câmara dos Deputados.

Houve casos de deputados com mais de sete mil votos em João Monlevade que nunca destinaram uma única emenda para o município. Outros jamais retornaram à cidade ou se posicionaram em pautas fundamentais, como a revisão da tabela do SUS ou a duplicação da BR-381. Esse ciclo precisa ser rompido.

O Médio Piracicaba reúne 18 cidades, aproximadamente 500 mil habitantes e força eleitoral suficiente para eleger até três deputados federais. É uma região economicamente próspera, com riqueza mineral, base siderúrgica, população trabalhadora e história marcante. Foi berço de nomes como o ex-presidente Afonso Pena. Aqui, o luxemburguês Louis Ensch deu continuidade à obra de Jean Monlevade, erguendo uma usina entre a montanha e o rio, um feito considerado impossível na década de 1930. O minério de Itabira, extraído nesta região, ajudou inclusive os aliados a vencerem o nazismo na Segunda Guerra Mundial.

Esses fatos não são opiniões. São dados históricos. Por isso, o “orgulho de ferro”, expressão imortalizada pelo poeta itabirano Carlos Drummond de Andrade, precisa ultrapassar as fronteiras simbólicas e chegar à Câmara dos Deputados. Em 2026, é preciso mudar a forma de votar. Eleger deputados com pertencimento, identidade regional e compromisso real com o Médio Piracicaba não é apenas uma escolha política é uma necessidade histórica.