O anúncio do repasse de R$1 milhão ao Hospital Margarida, feito ontem (8), merece reconhecimento e gratidão. Em um cenário de dificuldades orçamentárias e de crescente demanda por serviços de saúde, qualquer recurso destinado à principal instituição hospitalar de João Monlevade e de toda a região, representa alívio e esperança.

Destaca-se que o Hospital Margarida não pertence apenas a João Monlevade. Na prática, é um hospital regional, que atende pacientes de diversas cidades do Médio Piracicaba e de municípios vizinhos. São milhares de atendimentos mensais, sobretudo de urgência e emergência realizados por uma instituição que sobrevive essencialmente da filantropia, do esforço de sua gestão e da solidariedade da população.

Manter essa estrutura funcionando exige um custo médio mensal em torno de R$7 milhões. Isso é indispensável para garantir qualidade, segurança e continuidade dos serviços. A Prefeitura de Monlevade já repassa cerca de R$1,5 milhão, sem atrasos, todos os meses e estuda aumentar o valor nos próximos meses.

Outro desafio importante é a limitação no uso dos recursos recebidos. Como ressalta o provedor José Alberto Grijó, grande parte das verbas é “carimbada”, ou seja, tem destinação específica e não pode ser utilizada para o custeio básico, como pagamento de pessoal, manutenção e insumos. As emendas parlamentares são fundamentais, mas, muitas vezes, não resolvem o problema central que é manter o hospital de portas abertas todos os dias.

Assim, é inevitável o apelo aos prefeitos e vereadores das cidades atendidas pelo Margarida. Se o hospital cuida de seus munícipes, é justo que esses municípios contribuam de forma regular para seu custeio. A saúde regional não pode recair apenas sobre Monlevade. Defender o Hospital Margarida é defender vidas e preservá-lo é uma responsabilidade coletiva e permanente.