Na semana passada, neste espaço, A Notícia chamou a atenção para uma lacuna histórica na saúde pública de João Monlevade: a ausência de um serviço local de quimioterapia, que obriga pacientes oncológicos a longos e desgastantes deslocamentos em um dos momentos mais delicados de suas vidas. Hoje, o tema volta ao centro do debate com mais consistência, perspectiva concreta e, sobretudo, esperança.

A articulação para a implantação de um centro de quimioterapia em João Monlevade, envolvendo a Prefeitura, o Hospital Margarida e o Hospital Nossa Senhora das Dores, de Itabira, representa um salto civilizatório na política de saúde, que reconhece o sofrimento humano como prioridade e entende que tratar o câncer vai além do medicamento. Sobretudo, passa pelo acolhimento, pela proximidade da família e pela redução do desgaste físico e emocional dos pacientes.

A possível instalação do serviço no segundo andar do antigo Pronto Atendimento, hoje um espaço ocioso, também simboliza uma escolha acertada de gestão: reaproveitar o que está parado para atender uma demanda urgente da população. A iniciativa mostra que planejamento, articulação política e sensibilidade social podem caminhar juntos quando o interesse público está acima de disputas menores.

O projeto, contudo, não é simples. Envolve licenças, investimentos, adequações estruturais, trâmites legais e articulações institucionais complexas. Mas, sobretudo, diálogo e vontade política, passando pelo respaldo do Legislativo e responsabilidade das instituições envolvidas.

João Monlevade é polo regional, abriga um hospital de referência e atende diariamente pacientes de dezenas de municípios vizinhos. Ainda assim, até hoje, seus cidadãos com câncer precisam sair da cidade para receber tratamento quimioterápico. Essa realidade precisa mudar e tudo indica que já há uma oportunidade histórica para que isso finalmente aconteça.

Se confirmada, a nova unidade não apenas aliviará o sofrimento de centenas de famílias, como também fortalecerá a rede regional de saúde, gerará empregos, ampliará o atendimento pelo SUS e colocará Monlevade em um novo patamar de assistência oncológica.

A Notícia seguirá acompanhando de perto cada passo desse processo. Porque defender a implantação da quimioterapia em João Monlevade é defender dignidade, humanidade e o direito à saúde. E isso, definitivamente, não pode mais esperar. Afinal, é um presente de fim de ano!