(*) Elivânia Felícia Braz
O dia 6 de dezembro marca, em João Monlevade e em todo o mundo, mais do que uma data simbólica: representa o compromisso público de homens e instituições com o fim da violência contra a mulher. A Campanha do Laço Branco, instituída em nossa cidade pela Lei Municipal nº 2.109/2014, estabelece ações educativas e de prevenção voltadas para a conscientização masculina. Essa lei, ao reconhecer que a violência de gênero é estrutural, afirma também que sua superação exige engajamento ativo dos homens, e não apenas solidariedade distante.
Os números mostram a urgência desse debate. Em 2024, nossa cidade registrou mais de 300 pedidos de medidas protetivas, o que revela que muitas mulheres continuam vivendo sob risco, controle e ameaças. Cada medida protetiva não é apenas um dado estatístico; é um pedido de socorro, um sinal de que a violência está presente na vida cotidiana de famílias e comunidades, é uma mulher reagindo, denunciando e buscando proteção. E cada uma dessas vidas merece ser respeitada, acolhida e defendida.
É nesse contexto que o Laço Branco se torna mais do que um símbolo: torna-se um chamado para a reforma íntima masculina. A violência de gênero não se manifesta apenas nos atos extremos; ela se alimenta de práticas cotidianas naturalizadas, como ciúme excessivo, controle, desqualificação emocional, chantagens, piadas misóginas ou a ideia — ainda presente — de que homens têm poder sobre escolhas, corpos e trajetórias das mulheres. Para transformar essa realidade, é fundamental que os homens revisitem crenças e hábitos, questionem privilégios, escutem mais e se responsabilizem por construir relações afetivas e sociais baseadas no respeito e na igualdade.
Hoje, peço aos homens desta cidade, que assumam esse laço branco como um pacto de dignidade. Que façam a sua reforma íntima. Que não confundam masculinidade com poder, ciúmes ou dominação, mas a reinventem como cuidado, empatia e responsabilidade.
Envolvam-se! Atuem como nossos aliados! Acompanhem. Protejam. E, antes de tudo, respeitem. Às mulheres: nossa AMA existe para caminhar com vocês. Para orientar, acolher, fortalecer. A quem denuncia, a quem tema: você não está sozinha. A quem opta por buscar proteção: estaremos juntas — na escuta, no amparo, na busca de justiça.
À sociedade e ao Poder Público da nossa cidade: este é o momento de consolidar redes de proteção permanentes — políticas de educação nas escolas, capacitação de agentes públicos, ampliação de canais de denúncia, acolhimento imediato e eficaz, criação de grupos reflexivos masculinos! Fazer da Lei Municipal do Laço Branco mais que palavra. Fazer dela ação concreta, cotidiana.
João Monlevade tem uma rede comprometida, composta por instituições, movimentos sociais e profissionais que se dedicam diariamente a acolher, informar e proteger mulheres. Mas essa rede só será plenamente eficaz quando o compromisso de enfrentamento à violência for abraçado também por quem historicamente ocupou posições de poder em nossa sociedade: os homens.
Esse laço não representa um modismo, mas coragem — a coragem de transformar, de cuidar, de proteger. Representa a decisão de não reproduzir violência, de respeitar, de amar de verdade.
Assim, o Laço Branco é um convite à ação. Um convite para que João Monlevade avance, com coragem e humanidade, rumo a uma cidade em que mulheres vivam livres de medo e onde o respeito seja regra — e não exceção.
Porque viver em paz, com dignidade e respeito não é sonho. São metas. Metas que dependem de nós, de todos nós, juntos. Vamos juntas e juntos rumo a uma João Monlevade mais segura, mais justa, mais humana.
(*) Elivânia Felícia Braz é advogada e presidente da AMA- Associação Mulheres em Ação de João Monlevade.

