(*) Thiago Henrique dos Santos
Participar da 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque foi uma experiência que me convida a refletir sobre responsabilidades que ultrapassam o âmbito individual. Estar naquele espaço significou representar não apenas minha cidade, João Monlevade, mas também o Brasil, um país de imensa diversidade e de juventudes plurais, que ainda lutam por reconhecimento em arenas de decisão.
O evento, realizado em comemoração aos 30 anos do Programa de Ação da ONU para a Juventude, trouxe como tema central as relações intergeracionais, um assunto que ressoou de maneira especial. A construção de sociedades sustentáveis depende da capacidade de unir diferentes gerações em torno de um mesmo propósito. É no encontro entre a sabedoria acumulada e a ousadia criativa, entre a memória dos que pavimentaram o caminho e a energia dos que desejam transformá-lo, que surgem as soluções mais legítimas e duradouras.
Como estudioso da governança, desde minha graduação, compreendo que governar não se resume a ocupar cargos ou executar políticas, mas envolve a capacidade de articular atores, mediar interesses e construir legitimidade. Nesse sentido, as juventudes continuam sendo, muitas vezes, colocadas em posição periférica. Persistem crenças e paradigmas limitantes que reduzem nosso papel, sustentando um modo de agir retrogrado, e que em grande medida, atrasa o desenvolvimento social, econômico e ambiental de nossas comunidades.
Essa subestimação tem um custo alto. Ao negar voz e protagonismo às juventudes, perdemos inovação, perdemos diversidade de perspectivas e, sobretudo, perdemos a chance de acelerar mudanças que o mundo exige com urgência. O enfrentamento das desigualdades, a crise climática, a reconstrução da confiança nas instituições e o fortalecimento da democracia não podem esperar. Esses desafios pedem justamente o vigor, a coragem e a criatividade que os jovens carregam consigo.
Ao representar João Monlevade e o Brasil na ONU, senti a honra e o peso dessa responsabilidade. Levei comigo as raízes de minha trajetória, que nasce em uma família simples, mas que sempre acreditou na força transformadora da educação e da justiça social. Levei também a convicção de que, se queremos um futuro mais justo e sustentável, precisamos abrir espaço agora para que a juventude seja parte ativa das decisões, não apenas expectadora do amanhã.
As relações intergeracionais devem ser compreendidas não como disputa de poder entre idades, mas como oportunidade de complementaridade. Uma governança madura é aquela que se permite ser jovem em inovação e ousadia, e sábia em prudência e memória. Esse equilíbrio é o que pode nos guiar rumo a soluções legítimas, eficazes e duradouras.
Por isso, acredito que cada conquista em arenas multilaterais é menos um ponto de chegada e mais um chamado coletivo: o chamado de transformar crenças em prática, diálogos em cooperação e juventude em protagonismo real. Essa é a nossa tarefa comum em João Monlevade, no Brasil e no mundo.
(*)Thiago Henrique dos Santos é monlevadense, empresário, especialista em Políticas Públicas, Governança e Planejamento Estratégico

