A Polícia Civil investiga denúncias de uma possível pirâmide financeira que pode ter causado prejuízo milionário a moradores de cidades da região, como João Monlevade, São Gonçalo do Rio Abaixo e Itabira. Estima-se que as perdas cheguem a R$15 milhões nos últimos meses. O caso está sendo apurado pela Delegacia de Estelionato de Belo Horizonte.

Segundo as investigações iniciais, o esquema teria sido conduzido por um ex-morador de São Gonçalo, que oferecia serviços de investimentos, prometendo rendimentos entre 3% e 5% semanais, ou até 20% ao mês, por meio de supostas aplicações em ações, commodities e moedas digitais. Os pagamentos eram feitos às sextas-feiras, atraindo dezenas de investidores da região.

As maiores vítimas são empresários, comerciantes e empreendedores  dessas cidades. “Teve gente que perdeu R$400 mil, outros perderam R$100 mil, R$90 mil. Teve casamento que foi desfeito, famílias acabaram por conta desse golpe”, conta uma das vítimas.

O golpe

Os investimentos começaram em meados de 2024. Uma das vítimas relatou ao A Notícia ter transferido cerca de R$90 mil ao investigado, mediante promessa de retorno de 12% ao mês. No início, alguns pagamentos chegaram a ser realizados, mas em pouco tempo os depósitos foram interrompidos. Ainda segundo o depoimento, o acusado teria entregado um cheque de R$40 mil, que foi devolvido por falta de fundos.

As denúncias apontam que, para convencer os clientes, o suspeito alegava atuar no mercado financeiro há nove anos. Ele chegou a formalizar contratos com cláusulas que garantiam cobrir eventuais perdas, mas, segundo os relatos, não cumpriu o que foi acordado. Ele desapareceu de São Gonçalo e não responde aos que o procuram.

Outra vítima contou que o investidor, para convencer as pessoas a investirem, valia-se da boa índole da família da companheira que tem, entre outros, empresários bem-sucedidos em São Gonçalo do Rio Abaixo. Além disso, ele alegava possuir uma mina de esmeraldas. “No começo, ele pagava como combinado. Depois, os pagamentos foram diminuindo, sob alegação de atrasos, até parar de vez, em outubro de 2024”, conta. O autor, diz a vítima, alega que investiu recursos em uma plataforma mas que ela “quebrou”, deixando todos no prejuízo. No entanto, ele afirmou a algumas pessoas que vai pagar.

A Polícia Civil investiga o caso, mas ainda não divulgou quantas pessoas teriam sido lesadas nem o valor total do prejuízo. A recomendação é que eventuais vítimas procurem a delegacia mais próxima para registrar ocorrência.

O esquema tem características de pirâmide financeira, modelo ilegal que consiste em captar recursos de novos investidores para pagar rendimentos aos antigos, até que o sistema se torne insustentável.