A Polícia Civil confirmou a abertura de um inquérito para investigar denúncias de assédio sexual supostamente cometido por um professor de educação física na Escola Municipal Israel Pinheiro (Emip) em João Monlevade. A ocorrência policial foi registrada no dia 19 de setembro na Delegacia da cidade, após o acionamento do Conselho Tutelar pela direção da escola. Inicialmente, foram identificadas cinco alunas como vítimas.

Conforme as denúncias, o professor teria tido condutas inapropriadas durante a aula, com toques, olhares e posições constrangedoras direcionadas às estudantes. O inquérito instaurado para investigar as denúncias segue em sigilo e em andamento na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de João Monlevade.

Na Câmara

O episódio foi revelado na reunião dessa quarta-feira (1º) da Câmara Municipal de João Monlevade. O presidente do Legislativo, Fernando Linhares (Podemos), informou haver recebido a denúncia, pois familiares o procuraram. Ele afirmou que o profissional está afastado de suas funções, e cobrou providências da Secretaria de Educação e da Prefeitura para apuração imparcial dos fatos.

Revetrie Teixeira (MDB) afirmou haver sido procurado pelos pais, que contaram que a escola pediu para que o assunto não fosse levado às famílias, e que mães descobriram ao visitar o Conselho Tutelar. Ele protocolou um requerimento de informações sobre os fatos, e clamou para que as vítimas de crimes desse tipo se manifestem.
A líder do governo, Maria do Sagrado (PT), defendeu que o tema seja levado à Comissão de Educação da Câmara Municipal, e reforçou a apuração imparcial das acusações. A vereadora rechaçou a hipótese de que os alunos teriam sido pressionados a não denunciar o suposto assédio.

Belmar Diniz (PT) citou as denúncias em meio aos problemas de toda ordem enfrentados pela Secretaria de Educação, e disse que “não carrega a culpa” de escolher a atual gestão da pasta, que classificou como “ideológica, partidária e política”. Leles Pontes (Republicanos), que é professor, contou tomar algumas providências para evitar qualquer mal-entendido, como remeter a uma monitora ou profissional do sexo feminino o aluno que lhe pede para amarrar seus calções.

Questionada, a Prefeitura de João Monlevade informou que abriu processos administrativos, “diante da natureza sensível, da gravidade das acusações e da necessidade de assegurar uma apuração rigorosa, responsável e isenta”.