(*) Eliana Bicalho
O dia 10 de setembro é considerado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), uma data dedicada à conscientização sobre a importância de cuidar da saúde mental e oferecer apoio a quem enfrenta momentos difíceis. Conversar sobre esse tema de forma aberta e acolhedora pode ser o primeiro passo para salvar vidas. A cada ano, lança-se um slogan para tratar da data, e em 2025, o lema da campanha é “Se precisar, peça ajuda”.
Entendendo o fenômeno ‘suicídio’ como algo abrangente, multisetorial e multicausal, foi realizado pela Prefeitura de João Monlevade um segundo “Simpósio Intersetorial de Valorização da Vida e Prevenção ao Suicídio”.
Para falar sobre Setembro Amarelo, início me recorrendo a uma fala do Karl Marx, em “Sobre o Suicídio”, no ano de 1846 – Nossos sintomas também são sociais: “o número anual dos suicídios, aquele que entre nós é tido como uma média deve ser considerado um sintoma da organização deficiente de nossa sociedade” – ou seja, não devemos individualizar o suicídio. Por isso falamos que trata-se de um fenômeno complexo, multicausal e /ou multifatorial. Daí precisarmos de uma rede de atenção para avançarmos em prevenção. Sabemos que não há uma solução simples e privada para um problema produzido coletivamente.
Então queria que refletíssemos sobre os riscos de concentrar todas as nossas ações de prevenção ao suicídio num único mês, sobre o risco de enchermos as nossas caixas de mensagens nas redes sociais de mensagens superficiais – frases motivacionais sem informação prática de apoio, sobre o risco de gatilhos – vimos algumas campanhas que se utilizam de termos ou imagens que intensificam o sofrimento. O risco de palestras que pareçam festas comemorativas. O risco da vulgarização da campanha (midiática e metodológica) como meio de autopromoção e com fins lucrativos. O risco de o foco ser exclusivamente no indivíduo, responsabilizando quem sofre, sem considerar todo o entorno, despolitizando o contexto familiar, social e econômico em que estamos inseridos. O risco de não levarmos em consideração as causas sociais, como desigualdades, violências, insegurança alimentar, financeira e discriminações várias…
A visibilidade sobre o mês, sem ações efetivas, gera debate, mas nem sempre resulta em políticas públicas efetivas. Neste mês devemos abrir o debate construtivo, buscando caminhos mais abrangentes de cuidado.
A prevenção e a promoção do cuidado em saúde mental envolvem muito mais do que a divulgação e oferta de serviços individualizados na área da saúde. Entendo a saúde mental como algo muito além do individual e necessário estar na pauta de todas as políticas públicas, de assistência, educação, habitação, meio ambiente, cultura…
Para falar de Setembro Amarelo, temos que falar de direitos básicos: Moradia digna / Comida no Prato / Saúde Pública Gratuita / Lazer e descanso / Viver em uma sociedade livre do machismo, racismo, lgbtfobia / regular as redes sociais / viver livre das redes de ódio e desinformação / é sobre combater a exploração do trabalho / é cuidar das pessoas!
Prevenção ao suicídio não é só sobre evitar mortes, é sobre cuidar, sobre ajudar as pessoas a terem uma vida que é possível viver!!! Que tenhamos um projeto coletivo de prevenção constante e permanente. Com uma lógica que valorize as políticas públicas de fortalecimento do SUS e da rede de atenção psicossocial.
Não há bem-estar psíquico possível sem dignidade!
Onde buscar ajuda:
Centro de Valorização da Vida CVV – 188
www.cvv.org.br
CB – 180
PM – 190
SAMU – 192
Hospital Margarida – 3859.3144
UBS
SESAMO / CAPS II – 3859.2580
CAPS IJ – 3859.2583
(*) Eliana Bicalho Ferreira de Almeida é psicóloga, coordenadora da Divisão de Saúde Mental da Prefeitura de João Monlevade

