A Prefeitura de João Monlevade deve pedir de volta e retirar da pauta da Câmara Municipal o projeto de lei 1.564/2025, de autoria do próprio Executivo. A informação foi repassada pelo vereador Thiago Titó (MDB) esta segunda-feira (11). A proposta visa extinguir a exigência de curso de magistério ou superior para os monitores de creches e escolas que cuidam de alunos com deficiência na rede municipal.
A decisão ocorre em meio a um debate mais amplo sobre a valorização da categoria, que há tempos, como A Notícia já informou, reivindica reajuste salarial e melhores condições de trabalho. O tema foi levantado na última semana por Titó. Ele questionou na tribuna se a mudança no requisito de escolaridade atende, de fato, à principal demanda dos monitores. Conforme o parlamentar, a dificuldade em encontrar profissionais para a função não é a exigência do curso superior, mas dos baixos salários para a função. “Esse projeto vai totalmente na contramão do que eles estão lutando. Não é desqualificando uma função que se vai achar mais pessoas para tentar a vaga. Vamos valorizar os monitores, com dignidade e com um salário justo, para ver se teremos mais interessados”, defendeu.
Monitores de Monlevade ganham metade que um colega de São Gonçalo
Dados apresentados por representantes da categoria e obtidos por A Notícia mostram que o salário-base de um monitor de creche ou de apoio a alunos com deficiência em Monlevade é de R$ 1.697,88. Esse valor é significativamente inferior ao pago em cidades vizinhas para a mesma função. Em Itabira, um assistente de educação recebe R$ 2.297,76, e, em São Gonçalo do Rio Abaixo, o salário pago é R$ 3.368,77, praticamente o dobro da remuneração em João Monlevade.
A diferença salarial também é sentida dentro da própria estrutura da administração municipal. Enquanto monitores de creche e de apoio a alunos com deficiência recebem menos de R$1.700, o cargo de Monitor de Atividades da Fundação Municipal Crê-Ser, que desempenha funções de apoio, possui vencimento-base de R$ 2.482,13. “Essas diferenças escancaram uma injustiça interna. Funções de alta responsabilidade e carga emocional não podem ser as menos valorizadas da rede”, afirmou Titó.
Além de apoiar professores em sala de aula, os monitores cuidam de aspectos essenciais do desenvolvimento das crianças, envolvendo alimentação, higiene, sono, estímulo motor, apoio pedagógico e, no caso dos alunos com deficiência, atendimento a demandas específicas que exigem preparo físico, emocional e técnico.
O vereador defende que a correção salarial é urgente. Como meta imediata, diz, o piso deve ser equiparado aos valores pagos a profissionais da Fundação Crê-Ser, com objetivo futuro de alcançar o patamar de São Gonçalo o Rio Abaixo, de R$ 3.368,77. Para Titó, a valorização é também uma questão de justiça. “É contraditório observar alguns cargos públicos com altos salários enquanto os monitores, que lidam diretamente com nossas crianças, são desvalorizados. A educação de qualidade começa com profissionais motivados e reconhecidos”, concluiu.

