Deslocar-se por João Monlevade é um desafio a qualquer cidadão, mas ainda mais problemático às pessoas com mobilidade reduzida. Essas precisam sempre recalcular rotas, diante dos obstáculos encontrados nas vias públicas. A cada quarteirão, aparecem degraus, desníveis, buracos, pisos irregulares ou simplesmente inexistentes, autênticas armadilhas no caminho do transeunte mais frágil. Bairros centrais ou afastados, nobres ou carentes: nenhum está isento dos perigos, nenhum é totalmente inclusivo.
Lamentavelmente, a cidade não foi planejada para os deficientes, idosos e pais com carrinhos de bebê, por exemplo. Ao contrário do que deveria acontecer, a atual disposição urbana dificulta a livre circulação dessas pessoas. Uma simples ida a uma loja no centro comercial pode terminar num acidente, além de tomar muito mais tempo que a uma pessoa com mobilidade plena.
Nesta semana, o A Notícia acompanhou um percurso simples do monlevadense Luís Eduardo Ferreira pelas ruas do bairro República, e pôde constatar quantos desvios ele precisou fazer para percorrer a avenida Castelo Branco.
Sabemos que João Monlevade está erguida sobre um relevo montanhoso e acidentado, mas isso não pode ser justificativa para tantos obstáculos. Pessoas com mobilidades reduzidas precisam deslocar-se, viver e aproveitar das oportunidades que o município oferece. Ou a cidade repensa o seu planejamento urbano e as suas políticas de mobilidade, ou criará cadeias invisíveis aos seus próprios cidadãos. Já passou da hora de repensar esse tema, com políticas públicas e ações concretas para melhorar a acessibilidade de todos os cidadãos.

