João Monlevade enfrenta um grave problema com acidentes envolvendo motocicletas. Os dados do Serviço Voluntário de Resgate (Sevor) são alarmantes: apenas nos últimos três meses, foram registradas 55 ocorrências, uma média de quase um acidente por dia. Só em junho, já são 13 registros, incluindo a morte trágica de um jovem de 25 anos.

O presidente da entidade, Renato Carvalho, opina que a imprudência é a principal causa. Motociclistas, em especial mototaxistas e entregadores por aplicativo, colocam suas vidas em risco todos os dias movidos pela pressa e pelas exigências de produtividade. Ultrapassagens perigosas, excesso de velocidade e desrespeito à sinalização transformam as ruas da cidade em um palco constante de tragédias anunciadas.

A responsabilidade por esse cenário não recai apenas sobre os condutores. A crise é multifatorial e revela uma combinação perigosa de elementos: a pressão por produtividade imposta por aplicativos, que estimulam prazos cada vez mais curtos; a ausência de fiscalização efetiva; as más condições das vias, com buracos e sinalização precária; além da falta de uma cultura de educação no trânsito, que compromete tanto motociclistas quanto motoristas.
Não podemos naturalizar a violência no trânsito como parte do cotidiano. Cada acidente é uma vida interrompida, prejudicada, uma família devastada, um prejuízo social e econômico para a cidade. Diante desse cenário, é imprescindível que o poder público adote medidas concretas.

Campanhas educativas devem ser lançadas a fim de conscientizar motociclistas sobre os riscos da imprudência. A fiscalização do trânsito precisa ser intensificada, para coibir o excesso de velocidade. Além disso, as vias urbanas devem ser reavaliadas com urgência, para que os pontos críticos sejam identificados e corrigidos. João Monlevade não pode esperar mais uma vida perdida para reagir.