Ex-prefeito de São José do Goiabal por três mandatos, ex-vereador e ex-presidente da Câmara, José Roberto Gariff Guimarães (foto), confirmou ao A Notícia sua pré-candidatura a deputado federal, colocando no centro do debate a necessidade de o Médio Piracicaba voltar a ter uma representação legítima e permanente no Congresso Nacional.
Em entrevista, ele afirmou que a região, apesar de sua relevância econômica e populacional, segue há décadas sem uma voz própria nas decisões nacionais. “O Médio Piracicaba, com quase 500 mil habitantes, não pode mais continuar órfão de uma representação genuína em Brasília. É uma região forte, trabalhadora, que contribui muito com o desenvolvimento de Minas e do país, mas que precisa ser ouvida de verdade”, afirmou.
Com uma trajetória construída a partir da política municipalista, Beto Gariff Guimarães destacou que sua pré-candidatura nasce da vivência cotidiana nas cidades da região. Segundo ele, a ausência de representantes com identidade local compromete a defesa de pautas estratégicas e o acesso a investimentos estruturantes. “Falta à nossa região uma liderança que compreenda de fato seus dilemas, seus desafios e, principalmente, sua identidade. Alguém que esteja disposto a defender o Médio Piracicaba, lutar por recursos e atrair investimentos que fiquem aqui”, disse.
Visão
Entre suas visões, o pré-candidato fala da importância da duplicação da BR-262 até a divisa com o Espírito Santo, considerada essencial para a segurança viária, o escoamento da produção e o fortalecimento da economia regional. “Fiz parte do acordo de Mariana e sabemos que o governo do Espírito Santo vai duplicar até a divisa de Minas, com apoio do governo federal. E por que o nosso lado mineiro não? Essa é uma pauta histórica! Não é somente sobre mobilidade do mineiro ir para a praia. É gerar desenvolvimento e integrar ainda mais nossa região aos grandes corredores logísticos do país”, destacou. Beto também defende a duplicação da BR-381, sobretudo, o gargalo na chegada e saída de Belo Horizonte. “Precisamos de uma voz no Congresso que entenda o que é ficar parado na rodovia, para lutar pela duplicação”, afirma.
Outro ponto central é a defesa dos pacientes com doenças raras. Ele afirmou que o tema precisa ganhar protagonismo no Congresso Nacional, com políticas públicas mais eficientes, acesso a diagnóstico precoce e garantia de tratamentos. “Acompanhei a luta da família da Julinha e precisamos nos sensibilizar para esse assunto que aborda outras famílias em nosso estado. Elas enfrentam uma luta diária, muitas vezes invisível. Precisamos transformar essa causa em prioridade, com leis, orçamento e fiscalização para garantir dignidade a quem mais precisa”, ressaltou.
Beto também relembrou sua atuação como presidente do Consórcio Público de Defesa e Revitalização do Rio Doce (Coridoce), entidade que reúne municípios mineiros e capixabas impactados pelo rompimento da barragem de Mariana, em 2015. Para ele, a experiência reforçou a importância da articulação regional e da união política. “A região do Médio Piracicaba perde muito com a ausência de vozes nas grandes discussões nacionais, no acesso a mais recursos e, principalmente, pela falta de articulação política regional. Precisamos de unidade. Falta para a nossa região uma visão de coletivo”, afirmou.
Pertencimento regional
Ao comentar o atual cenário político, Beto Gariff Guimarães fez críticas ao modelo que mantém o Médio Piracicaba dependente de parlamentares sem vínculo com o território. “Não podemos continuar elegendo deputados que só aparecem aqui em época de eleição. O Médio Piracicaba precisa de alguém que pertença à região, que more aqui, viva aqui, empreenda aqui, que ama e defende essa região todos os dias e que não apareçam só de quatro em quatro anos. Precisa de um deputado que passe na porta da casa das pessoas”, disse.
Segundo Beto, a eleição de um deputado federal com identidade regional é fundamental para fortalecer os municípios, ampliar o acesso a recursos federais e garantir que as pautas do Médio Piracicaba tenham prioridade nas decisões nacionais. “Entendo que seja necessário a construção de um mandato presente, acessível e com foco na nossa região. O Médio Piracicaba tem potencial, tem gente trabalhadora e merece ocupar seu espaço em Brasília, junto às discussões nacionais”, concluiu.
Minientrevista
O que mais te orgulha na sua trajetória como homem público?
Foram 16 anos de mandato com todas as contas apreciadas pelo Tribunal de Contas do Estado, cem por cento aprovadas! Isso fala por mim. Cumpri bem meu dever, avancei com obras e ações que estão espalhadas por São José do Goiabal. Quem anda pela cidade vê a digital do nosso trabalho em todo lugar.
Que tipo de representante político a região precisa hoje?
Precisa de alguém que esteja presente. Que viva aqui na região, que passe toda semana pelos trevos de João Monlevade, São Gonçalo, Rio Casca, Ponte Nova. Que conheça as estradas, veja os problemas de perto, seja acessível ao povo. Eu moro em São José do Goiabal, estou aqui a semana inteira. As pessoas sabem onde me encontrar.
Em um cenário de polarização política nacional, como você se posiciona: direita ou esquerda?
Sou independente. Não posso me dar ao luxo dessa polarização. Se meu partido defender algo contra o interesse da população, eu voto contra, mesmo que isso custe minha permanência nele. Aqui não é sobre direita ou esquerda, é sobre diálogo, pensar no coletivo, nas ideias e ações concretas para tirar o Médio Piracicaba do ostracismo.
Você teve envolvimento na campanha “Salve a Julinha”. O que essa experiência representou?
Eu não estive à frente, fui apenas um elo, talvez o menor. Quem liderou, foi o enorme coração das pessoas. A Julinha despertou o melhor do ser humano. Esse é um tema que jamais uso para benefício político.
Mas essa causa despertou uma nova pauta para você…
Sim, sem dúvidas. A pauta das doenças raras! Nenhuma família deveria precisar fazer campanhas milionárias para salvar uma vida. Isso é indignante. O Congresso é a lei viva. Se a legislação não protege essas famílias, ela precisa mudar. Não falta dinheiro para muita coisa supérflua, mas não pode faltar para quem convive com doenças raras. Mudar a lei para garantir esse acesso é papel do deputado federal.

