A campanha para salvar a vida da pequena Júlia Pontes Teixeira Domingues, de 4 anos, alcançou nessa sexta-feira (17) um de seus passos mais importantes. A família, moradora de São Domingos do Prata, anunciou haver alcançado os R$18 milhões na campanha “Salve a Julinha”. No vídeo, divulgado no perfil da iniciativa na rede social Instagram, a conquista foi divulgada pela própria Júlia. Segundo a mais recente atualização, já foram arrecadados R$18.009.214,00, correspondendo a 90,04% dos R$20 milhões necessários.

O valor arrecadado correspondia ao total da meta para financiar a pesquisa para o tratamento de “Julinha”. No entanto, na semana passada, a família anunciou haver descoberto que também precisará arcar com as despesas hospitalares, orçadas em R$2 milhões. Dessa forma, a campanha “Salve a Julinha” permanece ativa e coletando fundos, agora para quitar esses custos adicionais com o hospital.

Relembre

A mãe de Júlia, Fernanda Pontes Teixeira, conta que começou no início do ano passado a perceber que a filha perdia habilidades que já adquirira. Ela se desequilibrava e caía, mesmo parada, tinha dificuldades para brincar com outras crianças, salivava com mais intensidade, ficava com a fala confusa e “enrolada” e, ao subir uma escada, precisava apoiar as mãos nos degraus e aplicar muita força.

A família procurou a ajuda de vários profissionais, mas não descobriram qual a razão desses sintomas. No fim de 2024, Júlia foi submetida a um exoma, um teste para detectar doenças raras, que foi analisado por um laboratório norte-americano. Conforme o pai de “Julinha”, Alan Domingues, o resultado chegou no dia 27 de dezembro: “Julinha” possui Lipofuscinose Ceróide Neuronal de tipo 7 (CLN7), uma doença raríssima, com menos de cem casos documentados. Conforme o tempo passa, ela tolhe as capacidades básicas do paciente, como falar ou engolir, que não podem mais ser recuperadas. Sem tratamento, o paciente chega ao estado vegetativo, e sua expectativa de vida se reduz à adolescência.

Os pais de Júlia procuraram por alternativas em todo o mundo, mas encontraram uma única esperança para a filha: uma pesquisa em desenvolvimento nos Estados Unidos, empreendida pela Elpida Therapeutics em parceria com o Southwestern Medical Center, da Universidade do Texas. No entanto, o laboratório necessita de US$3 milhões, o equivalente a R$18 milhões, uma quantia que a família não possui.

A coleta de recursos começou no dia 22 de janeiro, e nos nove meses seguintes, todo o Médio Piracicaba comoveu-se e envolveu-se naquela que talvez haja sido a maior mobilização de solidariedade de sua história. Rifas, bazares, apresentações musicais e artísticas, partidas esportivas, pedágios solidários e a coleta de doações através da internet. Desde o início, a campanha ultrapassou os limites da região, realizando várias ações de arrecadação de recursos na capital mineira, em todo o estado de Minas Gerais, no Brasil e até no exterior.

A campanha “Salve a Julinha” continua, agora para amealhar os R$2 milhões restantes para custear as despesas hospitalares. Através deste endereço, é possível conhecer todas as opções para doar e comprar as rifas solidárias e produtos vendidos.