Os vereadores Belmar Diniz (PT) e Revetrie Teixeira (MDB) protocolaram na terça-feira (8) um requerimento questionando a realização do rodeio previsto para a XXXII Cavalgada de João Monlevade. As perguntas foram endereçadas à Fundação Casa de Cultura, ao Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), ao Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), à Secretaria de Meio Ambiente e à empresa organizadora do evento, a Mais Serviços e Locações Ltda.

Os parlamentares realizaram diferentes perguntas para cada instituição, questionando desde as autorizações expedidas para a realização da Cavalgada à permissão para o rodeio, passando pela presença de veterinário para os animais e de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Móvel à disposição do público, passando pela vacinação dos bichos. No texto, Belmar e Revetrie ainda citam a lei federal 10.519/2022, que dispõe sobre as condições sanitárias em rodeios.

Nesta semana, o Ministério Público recomendou cancelar o rodeio durante o Torneio Leiteiro de Santa Bárbara. A Prefeitura informou, na quarta-feira (9), que a competição não seria realizada.

Crítica e defesa

Durante a reunião ordinária desta quarta-feira, Belmar Diniz fez apontamentos ainda mais incisivos sobre o rodeio, argumentando que ele caracterizaria “um estresse, um desconforto” para o animal. Segundo ele, o órgão genital dos touros é pressionado para fazê-los se agitarem durante os oito segundos. Diniz relembrou que João Monlevade possui um Código Municipal dos Direitos dos Animais e a Lei de Defesa dos Direitos dos Animais.

Belmar Diniz ainda pediu que os R$200 mil que seriam usados no rodeio tivessem outra destinação: “Há várias ONGs se sacrificando, fazendo bazar de roupas a R$10,00 para conseguir míseros R$2 mil. […] Por que que não se converte esse valor da estrutura de um rodeio, que é R$200 mil, para contratar mais um cantor? […] Por que que não pega esses R$200 mil do rodeio e investe na saúde, na educação, no quer que seja, mas nos maus-tratos?”. Diniz ainda apontou para os riscos de acidentes fatais envolvendo peões.

Vinculado ao setor agropecuário, Carlinhos Bicalho (PP) negou qualquer tipo de maus-tratos, argumentando que, em qualquer companhia de rodeio, os touros são acompanhados por veterinários e pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). O transporte dos animais, argumenta Bicalho, precisa ser autorizado através de uma guia, e a alimentação dos bovinos é regulada por um nutricionista. Ainda segundo Bicalho, a pressão não é aplicada sobre os genitais dos touros, mas sobre a virilha: “Tudo isso é acompanhado pelo veterinário, para não existirem os maus-tratos”. O parlamentar ainda pontuou que qualquer profissão acarreta riscos, que a montaria em si leva apenas oito segundos e que os peões são cobertos por seguros de vida.