A saúde financeira do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no Médio Piracicaba entrou nos debates da Câmara Municipal de João Monlevade nessa quarta-feira (22). O tema foi levantado pelo vereador Belmar Diniz (PT), que apontou para o déficit vivido pela instituição: “E o Samu, infelizmente, já está no vermelho. Acho que foi no dia 28 de agosto do ano passado que foi inaugurado. Gente, é muito recente para o SAMU estar já no vermelho! Por falta de quê?”

Diniz informou que o gasto mensal para o atendimento do serviço na região consorciada é de R$1,8 milhão, com repasse estadual de cerca de R$1,2 milhão, e o restante dividido entre os municípios. Ele ainda lembrou que o Samu depende de uma parceria tripartite, formada por municípios, estado e União. Ficou acordado que cada Prefeitura pagaria R$1,00 mensal por habitante. No entanto, nem todos os municípios consorciados estariam em dia com as suas cotas: “Já começou, uma conquista, mas já está no vermelho porque não tem compromisso dos outros municípios, infelizmente”.

Consórcio

Na região, o Samu é mantido pelo Consórcio Público Intermunicipal de Saúde dos Serviços de Urgência e Emergência do Médio Piracicaba (Cisurg-MP), integrado por 27 municípios. Belmar Diniz ainda relembrou que a Prefeitura de João Monlevade, que está em dia com os seus pagamentos, ainda arca com despesas para manter a base do Samu na cidade, como o aluguel da base e os custos de água, eletricidade e internet.

Revetrie Teixeira (MDB) afirmou que médicos que prestam serviços ao Samu regional estariam sem receber seus salários desde novembro do ano passado. Após conversar com a secretária executiva do Cisurg-MP, Viviane Duarte, Thiago Titó (MDB) explicou que, no Samu regional, existem contratados sob o regime de Pessoa Jurídica (PJ) e sob a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Os primeiros estariam com pagamentos atrasados desde janeiro deste ano. A partir de maio, a contratação através de pessoa jurídica será extinta.

Ainda conforme a exposição de Titó, o governo federal ainda não habilitou o Samu do Médio Piracicaba para enviar recursos. Segundo repassado ao vereador, cerca de metade dos 27 municípios integrantes do consórcio não está em dia com os pagamentos previstos. O parlamentar demonstrou preocupação com a qualidade do atendimento: “Mas, se não está pagando, o que isso pode ocasionar? Será que um atendimento sem a precisão que a gente espera? Será que vai ter evasão de profissionais interessados?”.

Enfermeiro, Alysson Barcelos (Avante) lembrou que, no Mato Grosso, os serviços do Samu foram assumidos pelo Corpo de Bombeiros. Em Belo Horizonte, metade dos técnicos de enfermagem foi dispensada, e apenas um desses profissionais tripula uma ambulância e atende a uma ocorrência, o que desencadeou uma paralisação. “Quando a gente fala que os médicos aqui não estão recebendo, é gravíssimo. Titó falou muito bem: isso é gravíssimo! Desde janeiro sem receber, como que você trabalha e não recebe? Como que você vive? Você tem que pagar suas contas!”.

Zuza Veloso (Avante) mencionou a economia proporcionada pelo Serviço Voluntário de Resgate (Sevor) ao município ao longo dos últimos 27 anos. Leles Pontes (Republicanos) pediu a realização de uma reunião para debater o tema e encontrar soluções para saná-lo. Sidney Bernabé (PL) mencionou os custos para manter as equipes do Samu, o que teria motivado a dispensa de metade dos técnicos de enfermagem na capital.

A Notícia tentou contato com a secretária executiva do Cisurg-MP, responsável pelo Samu regional, Viviane Duarte. No entanto, ela não atendeu às ligações e nem respondeu às mensagens até essa publicação.