O prefeito de João Monlevade, Laércio Ribeiro (PT), recebeu a imprensa na manhã de quarta-feira (17) para um tradicional café em que fez um balanço da administração municipal em 2025. Durante o encontro, o chefe do Executivo tratou de temas centrais como a situação fiscal da Prefeitura, investimentos em saúde, mobilidade urbana, obras de infraestrutura e projetos estratégicos para o desenvolvimento da cidade.

Ao avaliar o cenário financeiro do município, Laércio destacou a necessidade de manter o equilíbrio das contas públicas como condição essencial para garantir a continuidade dos serviços, além do pagamento em dia de servidores e fornecedores.

O prefeito lembrou do decreto da contenção de despesas com validade até 31 de dezembro deste ano, mas que deve continuar nos próximos meses. Segundo ele, a gestão tem adotado uma postura de responsabilidade na aplicação dos recursos, diante das limitações orçamentárias enfrentadas pelos municípios brasileiros.

Sobre esse assunto, o secretário de Planejamento, Fabrício Lopes, enalteceu o trabalho da equipe de governo que conseguiu equilibrar as contas, mesmo diante da queda na receita de R$30 milhões. “Eram previstos R$500 milhões, porém, arrecadamos R$470 milhões e mesmo assim, mantivemos em dia os pagamentos aos servidores públicos, fornecedores e prestadores de serviços”, disse.

Avanços na Saúde

Na área da saúde, o prefeito Laércio ressaltou avanços nos atendimentos à população, com ampliação e modernização das unidades básicas, como a UBS José Nelson Fagundes e a UBS Antônio Gonçalves, além de medidas voltadas ao fortalecimento da assistência nos bairros. Ele reforça a meta de Monlevade ter 100% de Estratégia Saúde da Família. “Encontramos 38% da cobertura da ESF na cidade. Hoje, alcançamos cerca de 80%”. Ele também adiantou que novos investimentos estão sendo planejados, alinhados às demandas apresentadas por profissionais da saúde e usuários do sistema.

Trânsito e mobilidade urbana

Durante a coletiva, o prefeito anunciou que a Prefeitura contratou uma consultoria especializada para estudar medidas que deem mais fluidez ao trânsito e melhorem a trafegabilidade no município. Entre as possibilidades em análise, está a proibição de estacionamento na avenida Wilson Alvarenga nos dois sentidos. Pelo menos em horários e ou dias específicos.

Segundo Laércio, o crescimento exponencial da frota de veículos em João Monlevade exige ações que, embora possam ser impopulares num primeiro momento, são necessárias. Como exemplo, ele citou a proibição de estacionamento de carretas na avenida Armando Fajardo. “Já tem gente pedindo em outros bairros. A população local, em maioria, aprovou a medida”, afirmou.

O prefeito, que é médico, demonstrou preocupação com o alto índice de acidentes, principalmente, envolvendo motocicletas. “No hospital eu via. Era quase um por dia com traumas”, relatou, destacando que políticas públicas para enfrentar o problema já estão em andamento.

Laércio também falou sobre o estacionamento rotativo, informando que o serviço será terceirizado. “Mas tem que ser uma empresa séria, que pague a Prefeitura. A que estava antes não estava pagando direito. E tem que ser progressivo: começar no Centro e, aos poucos, estudar e levar para outros bairros conforme a demanda”, explicou.

DAE e saneamento

O prefeito revelou que, mesmo não estando a venda, três grupos ofereceram valores elevados para comprar o Departamento de Águas e Esgotos (DAE), mas as propostas foram recusadas. “O valor era importante, alto, mas dinheiro acaba. Além disso, a empresa iria aumentar a tarifa para a população, ficaria mais cara a conta. E nós queremos entregar projetos, como a ETE Carneirinhos”, afirmou, reforçando que o DAE é patrimônio de João Monlevade. Fabrício Lopes pontuou que o DAE economizou cerca de R$2,2 milhões com eficiência energética.

Sobre a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Carneirinhos, iniciada em gestões anteriores, Laércio disse que a expectativa é entregá-la à população no início do próximo ano. O prefeito revelou que a obra exigiu investimentos adicionais devido à necessidade de um muro de contenção de alta engenharia, diante do risco real de deslizamento de um barranco próximo à avenida que corta o bairro Areia Preta.

Ele também anunciou que uma nova ETE no Industrial/Boa Vista/Nova Cachoeirinha deverá receber investimentos nos próximos anos. Além da necessidade futura de uma nova estação de tratamento de água, no Rio Piracicaba, para atender ao crescimento do município.

Hospital Margarida e recursos federais

Outro tema abordado foi a situação financeira do Hospital Margarida. Segundo o prefeito, a instituição quitou cerca de R$13 milhões em empréstimos bancários e ainda possui aproximadamente R$5 milhões a pagar. A direção do hospital informou que 2026 deve começar com dificuldades financeiras e já solicitou apoio ao Executivo. Laércio lembrou que a Prefeitura já repassa cerca de R$ 1,4 milhão por mês à unidade e destacou que o governo municipal busca ampliar a captação de recursos federais para o hospital.  “Nosso governo é formado por vários partidos e temos muitas representações em Brasília”, disse. O prefeito reiterou o pedido para que municípios vizinhos aumentem repasses ao Hospital, já que o Margarida é referência em saúde para outras cidades.

CFEM e novos projetos urbanos

O prefeito também informou que João Monlevade começou a receber recursos da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), em razão do início das atividades da mineradora Bemisa. O prefeito não informou valores, mas A Notícia apurou que, por enquanto, ele não chega a R$1 milhão, mas há expectativa de crescimento no futuro, já que a empresa ainda está em fase de canteiro de obras e não iniciou a extração propriamente dita.

Projetos Urbanísticos

Ao fim da coletiva, a vice-prefeita Dorinha Machado apresentou projetos urbanísticos, incluindo intervenções na entrada da cidade e em pontos estratégicos como a Praça 7, próximo ao Forninho, com a instalação de elementos com os dizeres “Eu amo João Monlevade”. Na BR-381, está previsto um novo portal da entrada da cidade, que contará com uma locomotiva da ArcelorMittal, reforçando o título de “João Monlevade Capital do Aço”.