A Câmara de João Monlevade aprovou nessa quarta-feira (8) a realização de uma audiência pública para debater as consequências do turno fixo para os trabalhadores em jornada na Usina de Monlevade da ArcelorMittal. A proposta foi apresentada pela vereadora Maria do Sagrado (PT), e aprovado pela maioria da Casa.
Conforme justificado pela parlamentar, a audiência pública tratará sobre os impactos “sociais, econômicos, familiares e de saúde” do turno fixo. A data para o encontro, que é aberto à participação de toda a comunidade monlevadense, ainda será definida pelo Legislativo.
A votação foi acompanhada por representantes do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de João Monlevade (Sindmon-Metal), incluindo o seu presidente, Flávio Cordeiro, que usou a Tribuna Popular para expor suas considerações. O presidente do sindicato afirma que, ao realizar a audiência pública, não quer que a Câmara delibere sobre o problema, mas que ela ajude a encontrar uma solução “viável e equilibrada”.
Segundo ele, o problema afeta a sociedade monlevadense: “Não queremos trazer problemas privados para o município, mas prevenir que o município sofra os impactos dessa jornada de turno fixo”.
Turnos
Flávio Cordeiro voltou a explicar o que é o regime de turno fixo, no qual os empregados, divididos em três turmas (as chamadas “letras”), trabalham seis dias da semana sempre no mesmo horário, sem alternância: uns, das 7 às 15 horas; outros, das 15 às 23 horas; e os demais, das 23 às 7 horas. Ao todo, são 684 operários diretamente atingidos pelo turno fixo, mas todos os cerca de 1.150 empregados da Usina de Monlevade acabam afetados por essa organização. A nova organização também interfere, por exemplo, nas equipes de apoio.
O presidente apontou que o turno fixo, que classificou como “jornada desumana”, provoca muito desgaste nos empregados. Desde que esse modelo foi implantado, há cerca de um mês, 30 funcionários já pediram demissão: “Nós, do sindicato, estamos muito preocupados não somente com os trabalhadores, mas também com a sustentabilidade da empresa, do negócio. Esse impacto está gerando um ‘efeito cascata’”.
Negociações
O presidente do SindMon-Metal apontou que, historicamente, a ArcelorMittal nunca ficou sem um acordo para a jornada de trabalho com o sindicato. No entanto, a pactuação vigente expirou a 28 de fevereiro, e sem um denominador comum entre as duas partes, foi implantado o turno fixo, seguindo a legislação, diante da ausência de acordo. Dessa forma, a nova jornada de trabalho foi adotada pela ArcelorMittal no dia 10 de março.
Os funcionários da empresa rejeitam a antiga tabela de revezamento e em assembleia, definiram pela chamada escala 4×4, na qual os operários trabalhariam 12 horas por dia ao longo de quatro dias, sendo dois das 7h às 19h e os outros dois das 19h às 7h, seguidos por quatro dias de folga. Esse modelo já é aplicado em outras unidades da ArcelorMittal, como Tubarão (ES) e Pecém (CE).
Por sua vez, conforme o sindicato, a ArcelorMittal defende a manutenção da escala 6-3-3, até a elaboração de um novo modelo. Porém, segundo Flávio Cordeiro, essa jornada gera insatisfação há anos. O Sindmon-Metal afirma que, nesse regime, os operários teriam apenas três ou quatro fins de semana completos a cada ano, prejudicando seu convívio familiar e social.
O presidente do Sindmon-Metal reforçou que a entidade jamais se furtou ao diálogo com a companhia, em busca de uma solução negociada e que espera solução para o impasse.
Questionada pelo A Notícia, a ArcelorMittal afirmou que não se pronunciará sobre o tema.
