Possível implantação movimenta debates em Monlevade

A possibilidade de transformar quatro escolas estaduais em colégios cívico-militares repercutiu ao longo da semana em João Monlevade. A proposta do governo estadual foi tornada pública na edição da sexta-feira da semana passada (4) do A Notícia, e desde então o tema tem provocado acesos debates na sociedade e nos meios políticos.

Em João Monlevade, a proposta de implantação do modelo cívico-militar envolve as escolas estaduais Luiz Prisco de Braga, Doutor Geraldo Parreiras, Manoel Loureiro e Alberto Pereira Lima. Ao longo da semana, as comunidades escolares foram consultadas sobre a implementação dessa política. O prazo final para a definição é a próxima sexta-feira, dia 18.

Apontamentos

A transformação de escolas estaduais em colégios cívico-militares foi debatida na reunião de quarta-feira (9) da Câmara Municipal de João Monlevade. A líder do governo, Maria do Sagrado (PT), fez ponderações sobre o projeto. A petista argumentou que a violência possui múltiplas causas, como a fome, conflitos familiares e dificuldades de aprendizado. Ela lembrou que, sob esse modelo, a gestão dos estabelecimentos de ensino é compartilhada entre as secretarias de Educação e de Segurança Pública.

Em sua opinião, “a educação precisa de investimento”. Maria do Sagrado ainda questionou se, já que as escolas cívico-militares demandam mais recursos financeiros, não seria mais adequado aplicá-los nas escolas convencionais ou no piso salarial dos professores.

A líder do governo, que é professora e ex-secretária de Educação, ainda rememorou que os índices educacionais de João Monlevade são superiores à média, e defendeu o debate e o esclarecimento de dúvidas sobre o modelo. Maria relatou preocupação de que, durante as consultas à comunidade escolar, as cédulas de votação sejam identificadas, expondo o votante. Ela criticou essa identificação e disse que a votação deveria ser sigilosa. A fim do discurso, Maria elogiou as autoridades policiais e as atividades desenvolvidas por elas junto às escolas.

Marquinho Dornelas (Republicanos) lembrou que as escolas cívico-militares funcionam de forma distinta do Colégio Tiradentes da Polícia Militar, elogiando os dois tipos de educação por preservarem a disciplina e os valores educacionais. Dornelas ainda recordou que Rio Piracicaba já possui uma escola cívico-militar, a Córrego São Miguel, e que é reconhecida por sua qualidade de ensino, disciplina e boas ações.

Já o presidente da Câmara, Fernando Linhares (Podemos), afirmou que o governo estadual aplicou uma “pá de cal” na vinda do Colégio Tiradentes a João Monlevade, anunciada em 2021, e que nunca se concretizou. Linhares também defendeu o transporte pela Prefeitura de estudantes de João Monlevade ao Colégio Tiradentes de Itabira. Sidney Bernabé (PL) demonstrou ser abertamente a favor do modelo cívico-militar em João Monlevade.

Audiência pública

A pedido de Maria do Sagrado haverá uma audiência pública para debater a transformação das escolas estaduais em colégios cívico-militares. O encontro ocorrerá na próxima segunda-feira (14), às 18 horas, na sede da Câmara Municipal de João Monlevade, no bairro JK.