As campanhas de candidatos nascidos ou residentes nas cidades do Médio Piracicaba já movimentaram R$2,76 milhões, segundo a primeira prestação de contas parcial das eleições de 2026. O levantamento feito pelo A Notícia, com base nos dados divulgados pela Justiça Eleitoral, reúne 18 candidaturas de pessoas que moram ou nasceram na região.
Ao todo, os candidatos declararam R$2.766.576,95 em recursos financeiros, que são valores em dinheiro, e recursos estimáveis, que representam bens ou serviços cedidos que possuem valor econômico. Do montante, aproximadamente R$2,05 milhões são provenientes do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e do Fundo Partidário, o equivalente a 74% do dinheiro declarado.
Assim, os números mostram uma eleição marcada pela forte presença dos recursos distribuídos pelos partidos, mas também por diferenças significativas entre as campanhas. Enquanto alguns candidatos já receberam centenas de milhares de reais, outros ainda não declararam qualquer movimentação. Há ainda casos em que o valor das despesas contratadas supera a receita registrada até agora.
Conforme determina a Justiça Eleitoral, essa prestação é parcial. Ela reúne a movimentação financeira e os recursos estimáveis em dinheiro registrados desde o início da campanha até 8 de setembro. O prazo para envio das informações terminou no domingo (13), e os dados foram disponibilizados ao público na terça-feira (15). Para o primeiro turno das Eleições 2026, o prazo para o envio da prestação de contas final é 3 de novembro de 2026, quando toda a movimentação financeira deverá ser informada na íntegra.
Maiores recursos
Entre os candidatos analisados, o maior volume de recursos declarados é do ex-vereador e ex-deputado estadual de Itabira Mucida (Avante). Ele informou ter recebido R$612 mil, dos quais R$600 mil vieram do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, destinados pela direção nacional do Avante. Outros R$12 mil são recursos próprios.
Em seguida aparece o deputado estadual Tito Torres (PSD), nascido em João Monlevade, com R$525.875 declarados. Desse total, R$522.375 são recursos financeiros e R$3,5 mil, estimáveis. A maior parcela, de R$397.375, foi destinada pela direção estadual do PSD. Outros R$100 mil foram doados por Clésio Soares de Andrade e R$25 mil correspondem a recursos próprios.
Na sequência estão Aniele Fonseca (PL), de Santa Bárbara, com R$308.426,66; Alessandro Dias (Avante), de João Monlevade, com R$280 mil; Núbia Citty Advogada (Rede), de Itabira, com R$241.679,29.
Vereador em Itabira, Júlio Contador (PP) declarou receitas de R$202.320, sendo R$200 mil, ou 98,85%, provenientes do Fundo Especial, enviados pela direção nacional do próprio partido. Outros R$2.320, equivalentes a 1,15%, são recursos estimáveis do próprio candidato. Rose Félix (PSD), também de Itabira, declarou receber R$200 mil.
Mais de 70% vêm de fundos
O aspecto que mais chama atenção no levantamento é a origem dos recursos. Somados, os valores provenientes do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e do Fundo Partidário chegam a aproximadamente R$2,05 milhões. Isso significa que cerca de 74% de tudo o que foi declarado pelos candidatos têm origem nos fundos destinados aos partidos.
Em algumas campanhas, a dependência dos recursos partidários é praticamente total. Aniele Fonseca, por exemplo, declarou R$308.426,66 em receitas, sendo R$290 mil provenientes do FEFC. Já Rose Félix declarou R$200 mil, integralmente oriundos do Fundo Especial.
Alessandro Dias também declarou toda a sua receita, de R$280 mil, proveniente do FEFC. O levantamento mostra, portanto, que o financiamento partidário já representa a principal fonte de recursos para boa parte das candidaturas da região.
Quem mais gastou?
Quando o olhar passa da arrecadação para as despesas contratadas, o cenário muda. Entre os candidatos relacionados na reportagem, o maior volume de despesas contratadas é de Tito Torres, com R$433.328,58. Em seguida aparece Mucida, com R$362.644,34. O ex-prefeito de São José do Goiabal Beto Guimarães (Podemos) registra R$236.783,29 em despesas contratadas, enquanto Aniele Fonseca informa R$170.264,65.
No total, os candidatos relacionados na reportagem declararam R$1.928.023,54 em despesas contratadas. Desse valor, R$998.984,71 já haviam sido efetivamente pagos. A diferença, de aproximadamente R$929 mil, corresponde a despesas contratadas que ainda não estavam quitadas na prestação parcial.
Beto contratou mais do que arrecadou
Um dos casos que mais chama atenção é o do exprefeito de São José do Goiabal Beto Guimarães (Podemos). Ele declarou R$41,6 mil em receitas, sendo R$36,3 mil em doações e R$5,3 mil em recursos estimáveis. As despesas contratadas, porém, chegam a R$236.783,29, valor aproximadamente 5,7 vezes superior à receita declarada na prestação parcial.
A maior despesa é com a empresa Inove Impressões Gráficas e Marketing Político, contratada por R$59.620. Na sequência aparecem Rachid Veículos, com R$23 mil, e Facebook Serviços Online do Brasil, com R$20,6 mil.
A diferença entre receitas e despesas contratadas, entretanto, não significa, por si só, irregularidade. A prestação divulgada agora é parcial e retrata a movimentação registrada até 8 de setembro.
Alessandro recebeu R$280 mil e gastou menos de R$3 mil
Se Beto chama atenção pelo volume de despesas em relação à receita, o caso de Alessandro Dias (Avante) apresenta o movimento inverso. O monlevadense declarou R$280 mil em receitas, integralmente provenientes do Fundo Especial de Financiamento de Campanha.
Até a prestação parcial, porém, havia contratado apenas R$2.764,70 em despesas. O valor representa aproximadamente 1% de tudo o que havia declarado ter recebido. Entre os fornecedores aparecem Campeões do Tráfego Ltda., com R$2.480, e Livraria Leitura, com R$284.
Outras despesas e receitas
O vereador em Monlevade e candidato a deputado estadual, Fernando Linhares (Podemos) aparece com R$62 mil em receitas. Ele declarou R$30 mil provenientes do FEFC. Os outros são R$30 mil em doações do próprio Fernando e R$2 mil em recursos estimáveis.
Por sua vez, as despesas contratadas são de R$57.004,10, estando pagos R$38.983,60. Os principais fornecedores são Alberto Henrique Álvares Gireli, com R$11.405,00 (20,01%); Saumer Estratégia Comunicação e Marketing Ltda., com R$10 mil (17,54%); e Facebook Serviços Online do Brasil Ltda., com R$6 mil (10,53%).
O atual vice-prefeito de Itabira, Doutor Marco Antônio (PRD), declarou R$52,8 mil em receitas, sendo R$50 mil, ou 94,7%, do Fundo Especial, destinados pela direção nacional do partido, e R$2,8 mil, ou 5,3%, de recursos doados pelo próprio candidato.
Ele também contratou R$41.515,70 em despesas, dos quais R$29.223,60 já foram pagos. Seus maiores fornecedores foram a Gráfica e Editora Completa Ltda., com R$15.526; Márcio Paulo de Araújo, com R$6 mil; e Rafaella Mesquita Vieira, com R$5,5 mil.
Atualmente vereador em Nova Era, Rian Pereira (Novo) declarou R$21.655 em receitas, totalmente advindas de doações à campanha. Desse total, R$21.380 são recursos financeiros e R$275 são estimáveis.
Suas maiores fontes de receita foram Míriam Soares Nogueira Pereira, com R$20 mil; o próprio candidato, com R$530,00; e Guilherme da Cunha Andrade, com R$350,00. Rian declarou ainda R$15.502,50 em despesas contratadas, já totalmente pagas. Os maiores fornecedores são Facebook Serviços Online do Brasil Ltda., com R$5 mil; Gráfica Detalhes Editora Monlevade Ltda., com R$4.760; e Vlas Impressões Ltda., com R$4,7 mil.
Warley Mól (Novo) declarou R$46.455 em receitas e R$38.251,97 em despesas contratadas. Segundo a declaração, R$27 mil vieram do FEFC, R$11 mil do Fundo Partidário e R$8.445 de doações. Atual vereador em Catas Altas, Cássyo Pousas (Podemos) declarou R$ 6.710 em receitas, sendo R$5 mil do Fundo Especial e R$1.710 provenientes de doações. Seus doadores foram a direção nacional da legenda, com R$5 mil, e queroapoiar.com.br, com R$1.710. As despesas contratadas de Cássyo somam apenas R$34,01, já totalmente pagas, provenientes de queroapoiar.com.br Ltda.
Também vereador em Itabira, Luiz de Ipoema (Podemos) declarou R$56,7 mil em receitas, sendo R$50 mil do Fundo Especial, R$2,7 mil de doações para a campanha e R$4 mil em recursos estimáveis.
Suas principais fontes de recursos foram a direção nacional do Podemos, com R$50 mil; Alefy Duarte Miranda, com R$4 mil; e repasses próprios de R$2,7 mil. As despesas contratadas somam R$49.282,50, já totalmente quitadas. Entre os fornecedores estão Livre Comunicação e Propaganda Ltda., com R$39.892,50; Posto Ipê Amarelo Ltda., com R$9.190; e Facebook Serviços Online do Brasil Ltda., com R$200. A candidata Simone Melo (Novo), radicada em João Monlevade, não declarou receitas ou despesas na prestação parcial.
Perfil das campanhas
A prestação de contas permite ainda identificar empresas e pessoas que estão recebendo pelos serviços contratados pelas campanhas. Gráficas, empresas de comunicação, marketing político, publicidade, produção de material e serviços digitais aparecem entre os principais fornecedores.
No caso de Tito Torres, a maior despesa individual é com a Gráfica Editora Cedablio, no valor de R$131.602. Mucida, por sua vez, contratou R$58.644 da Gráfica e Editora Completa e R$32.100 da GMP Publicidade e Serviços Gráficos.
Entre os fornecedores de Fernando Linhares aparecem Alberto Henrique Álvares Gireli, com R$11.405; Saumer Estratégia Comunicação e Marketing, com R$10 mil; e Facebook Serviços Online do Brasil, com R$6 mil.


