A falta d’água, historicamente um dos temas mais sensíveis em Monlevade, voltou ao centro do debate político nesta semana. Agora, com críticas até de vereadores da base do prefeito Laércio, que cobram soluções mais imediatas do Executivo. A reunião da Câmara de João Monlevade de quarta-feira (26) foi marcada por um clima de insatisfação.
O clima “ferveu” em virtude da persistente falta d’água em diversos bairros da cidade nos últimos dias, sobretudo nos mais altos, como o Planalto e Nova Monlevade. Conforme os parlamentares, os moradores continuam enfrentando interrupções no abastecimento com frequência.

O vereador Bruno “Cabeção” (Avante) questionou a utilidade do reservatório do bairro 1º de Maio para resolver o problema no Planalto, que fica ao lado. Segundo ele, os moradores “não conseguem entender” como é possível faltar água com uma estrutura de armazenamento tão próxima. “É difícil explicar que, a poucos metros da casa da pessoa, existe um reservatório de 200 mil litros, e aquela água não chega para ela. As pessoas não entendem, e com razão”, afirmou.

Os reservatórios inaugurados no dia 29 de outubro nos bairros Sion e 1º de Maio custaram cerca de R$1,5 milhão e foram anunciados como solução para a falta d’água em Sion, 1º de Maio, Santa Cecília e Corumbiara de Vanessa. Para o Planalto e Nova Monlevade, porém, a Prefeitura já havia reconhecido que seria necessária outra obra, ainda não iniciada, de um novo reservatório e uma nova adutora.

Caminhões pipa

O vereador Thiago “Titó” (MDB) defendeu que, enquanto o sistema não for normalizado, o Departamento de Águas e Esgotos (DAE) deveria intensificar o envio de caminhões-pipa. “A falta d’água virou rotina em Monlevade. Isso estressa. Dois, três dias sem água é insuportável. Se o DAE está mandando dois caminhões, precisa mandar quatro, cinco”, cobrou.

Revetrie Teixeira (MDB) afirmou que o DAE já está enviando caminhões diariamente, conforme garantiu o diretor da autarquia, José Afonso Martins. Titó, no entanto, rebateu dizendo que, apesar do esforço, o atendimento está aquém do necessário.
Já Vanderlei Miranda (Republicanos) informou que o problema tem raiz mais profunda, literalmente, devido à grande quantidade de ligações clandestinas no Planalto. Ele defendeu um cadastro individualizado por CPF de moradores. “Tem gente com ligação irregular recebendo água de caminhão-pipa, enquanto quem paga a conta não é abastecido. Isso precisa acabar”, afirmou.

“Quase apanhei”

O vereador Alysson Barcelos (Avante) também relatou reclamações constantes do Vila Tanque, onde nasceu. Segundo ele, no último domingo, ele quase apanhou da população local por estar indignada. Ele informou que, desde 2022, o DAE tem projetos para ampliar a rede e construir um novo reservatório, mas o plano ainda aguarda validação da Caixa Econômica Federal. “Agora, por que isso não anda? Até quando o povo vai sofrer? Se precisar, vamos juntos cobrar a Caixa. Isso precisa destravar”, afirmou.

O vereador Zuza Velloso (Avante) disse que o telefone “não parou de tocar” durante todo o fim de semana, com reclamações de moradores sem água. “O DAE precisa dar mais atenção e providenciar mais reservatórios. A população está sofrendo”, disse.

DAE diz que problema é aumento no consumo e altas temperaturas

O Departamento Municipal de Águas e Esgotos (DAE) informa que está acompanhando a situação relatada pelos moradores dos bairros Nova Monlevade e Planalto. Conforme a autarquia, a interrupção no abastecimento registrada na região está relacionada ao período de altas temperaturas, que provocou um aumento significativo no consumo de água em todo o município.

Conforme o DAE, a velocidade de consumo vem superando a capacidade de recuperação dos reservatórios, o que compromete o fornecimento, especialmente, nas áreas mais altas, como é o caso do Nova Monlevade e do Planalto. “O elevado consumo na parte baixa da cidade impacta diretamente o volume de água disponível para bombeamento às áreas superiores”, alerta o governo.

Previsão de normalização

O DAE afirma que segue realizando manobras operacionais para estabilizar o abastecimento e tem atuado diariamente para minimizar os impactos aos moradores. “A expectativa é que, à medida que o consumo retorne a patamares regulares, o abastecimento se recupere. Para minimizar a situação, o DAE está enviando caminhão-pipa para atender essas localidades”, diz.

Providências

Ao A Notícia, o DAE informa que há recursos para a readequação do sistema de distribuição de água no Nova Monlevade e Planalto, com o objetivo de aumentar a capacidade de envio de água para os bairros da parte alta. “O DAE aguarda a Caixa Econômica Federal liberar a avaliação do projeto para poder licitar a obra”, afirma o DAE. Enquanto isso, o DAE intensifica campanhas de uso consciente da água e monitora permanentemente o comportamento da rede, reforçando ações operacionais para reduzir o risco de desabastecimento prolongado.

Furto e vandalismo comprometem abastecimento

Para piorar a situação, ontem (27), o DAE informou que o abastecimento de água do bairro Planalto foi comprometido após uma ação de vandalismo. Durante uma inspeção de rotina, a equipe de eletromecânica da autarquia constatou o furto de equipamentos e conexões essenciais ao funcionamento do poço artesiano que atende à região.

As equipes do DAE verificaram que a bomba se desprendeu da fixação e caiu dentro do poço artesiano, a mais de 140 metros de profundidade. “A situação, provocada pela ação criminosa, dificulta de maneira significativa todo o processo necessário para recolocar o poço em operação”, informa o DAE.

Segundo a autarquia, diante da complexidade do dano, não está descartada a necessidade de contratação de uma empresa especializada para realizar o resgate da bomba e demais reparos estruturais. “Caso essa medida seja confirmada, o prazo para retomada do funcionamento do poço poderá ser maior. Assim, as chances de restabelecer o abastecimento em curto prazo são mínimas, considerando o nível de avaria identificado até o momento”, diz o DAE.