Agosto, dedicado ao enfrentamento à violência doméstica e infantil, termina no próximo domingo (31). Mas a luta contra esses crimes não. Embora o mês tenha se vestido de lilás para lembrar à sociedade da importância de se combater a violência contra a mulher, a pauta deve ser levada em consideração o ano inteiro.
Conforme a Polícia Civil, em Minas Gerais, o tema tem ganhado força com ações educativas, palestras e iniciativas de prevenção que buscam encorajar mulheres a denunciarem seus agressores. A violência contra a mulher é um problema social, de segurança pública e de saúde, e só pode ser enfrentada com união de esforços. As denúncias, mesmo anônimas, podem ser feitas pelo 190, 181 e Disque 100.
Avanços na segurança pública
Nos últimos anos, o Governo de Minas Gerais vem ampliando as estratégias de proteção e acolhimento. Um dos resultados dessa política integrada entre Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Defensoria e Judiciário foi a redução de 16,5% nos casos de feminicídio consumado, que caíram de 187 para 156 vítimas entre 2023 e 2024 no estado. Houve também diminuição significativa nos registros de violência doméstica e familiar: quase 2.500 casos a menos que no ano anterior.
Entre as iniciativas recentes, destaca-se o Emergência MG, lançado em 2023. O sistema pioneiro no Brasil permite acionar, via internet, a Polícia Militar (190), Polícia Civil (197) e o Corpo de Bombeiros (193), com envio de fotos, vídeos e geolocalização da vítima. O recurso garante atendimento rápido e seguro, inclusive por chat, em situações de risco imediato. Outro é o programa Chame a Frida, presente em João Monlevade e cidades da região, que permite um envio de pedido de socorro de forma rápida e segura, através do whatsapp.
Atualmente, Minas Gerais conta com 70 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM) espalhadas pelo estado, que oferecem atendimento especializado, instauração imediata de inquéritos e encaminhamento para medidas protetivas. Em João Monlevade, a Delegacia de Mulheres integra essa rede, oferecendo suporte humanizado e promovendo campanhas de conscientização em escolas e comunidades.
Barreiras e acolhimento
Apesar dos avanços, um dos grandes desafios, conforme a Polícia Civil, ainda é a desistência das denúncias. Muitas mulheres, por medo, dependência financeira ou emocional, acabam retirando as queixas registradas. A Delegacia reforça, porém, que as vítimas não estão sozinhas. O trabalho conjunto com a rede de proteção: Creas, Defensoria e Judiciário, busca encorajar e garantir que o processo siga até o fim, fortalecendo a segurança da vítima.
Sinais de alerta
Segundo a Polícia, a sociedade também tem papel fundamental no enfrentamento. Mudanças bruscas de comportamento, isolamento, baixa autoestima, medo constante ou lesões físicas recorrentes são sinais de alerta em uma possível vítima de violência. Familiares, amigos e vizinhos podem ser a diferença entre o silêncio e a denúncia.
Violência infantil:
o silêncio que precisa ser quebrado
Outro eixo de atenção é a violência contra crianças, que, em sua maioria, acontece dentro do ambiente familiar. Fatores como vulnerabilidade social, histórico de violência doméstica e dependência química dos responsáveis estão entre os principais motivos. Muitas vezes, o agressor é alguém próximo da vítima, o que dificulta a denúncia. “O lar, que deveria ser espaço de proteção, não pode se transformar em cenário de medo. Por isso, campanhas como o Agosto Lilás também ampliam o debate sobre a proteção infantil, reforçando a importância de observar sinais de abuso e garantir a denúncia”, informa a Polícia Civil de Minas Gerais.

