A temporada de seca de 2025 está sendo marcada por graves queimadas em João Monlevade e região. Na semana passada, um incêndio no bairro República alastrou-se por uma extensa área, atingindo e danificando parte dos fundos da residência e de um bar da rua José Bicalho Costa, no bairro Nova Esperança. O fogo mobilizou equipes da Brigada Florestal Voluntária, do Corpo de Bombeiros Militar, da Defesa Civil, do Serviço Voluntário de Resgate (Sevor) e da Polícia Militar.
No fim de semana dos dias 9 e 10 de agosto, a Brigada Florestal Voluntária de João Monlevade atendeu a oito chamados em apenas dois dias. Foram duas ocorrências no bairro Cidade Nova, outras três no Sion, mais uma no bairro Santo Hipólito, outra no parque do Areão, mais uma no bairro São João.
Incêndios são comuns nos meses de seca, e ano após ano, a região tem sido castigada pelas chamas. Em 2024, o Médio Piracicaba já fora assolado por imensas labaredas, que devastaram extensas áreas. Uma delas foi a da Serra do Seara, nas imediações do posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em João Monlevade, que sofreu um incêndio que transformou a vegetação em cinzas e encheu os céus da cidade de fumaça.
Maioria é criminosa
O presidente da Brigada Florestal Voluntária de João Monlevade, Saulo Amaral, conversou com o A Notícia sobre o trabalho da instituição para conter os incêndios em áreas de vegetação ao longo do inverno. Saulo assinalou que a grande maioria das queimadas tem origem criminosa, e apontou para a raiz cultural desse fogo: “Queimar lixo, queimar para abrir pastagem, queimar para matar carrapatos, queimar para limpar um terreno. Ainda existe uma cultura do fogo”.
O presidente da Brigada Florestal relembra que atear fogo em terrenos, lotes vagos e áreas verdes é crime. A lei 9.605, de 1998, prevê pena de multa e de reclusão, entre dois e quatro anos, a quem incendiar uma floresta. Em julho de 2025, duas mulheres foram presas por iniciar queimadas em lotes de João Monlevade, sendo uma no bairro Nova Aclimação e a outra no bairro Corumbiara de Vanessa.

Segundo Saulo Amaral, bairros como o Satélite e o José de Alencar são aqueles que mais registram queimadas, embora qualquer região da cidade esteja suscetível. Para evitar as chamas, os donos de terrenos precisam mantê-los sempre limpos e capinados. Em média, durante a temporada de seca, a Brigada Florestal Voluntária de João Monlevade atende a sete ocorrências diárias, com duração e complexidade variáveis. Enquanto ele conversava com o A Notícia, uma equipe da brigada apagava um incêndio justamente no Satélite, num trabalho que durou cerca de uma hora. Em 2024, a Brigada integrou as forças que debelaram a grande queimada que castigou o Santuário do Caraça, e passou por momentos tensos: “Nós chegamos a ficar fechados num círculo de fogo. Com nossas técnicas, conseguimos sair e apagar o incêndio”.
O trabalho da brigada
Atuante desde 2020, a Brigada Florestal possui 26 voluntários, e vive de parcerias com empresas e de doações da comunidade. Em agosto, a Câmara Municipal aprovou um projeto de lei que aumenta a faixa de terreno a ser cedido pela Prefeitura à instituição, para que ela tenha uma sede própria, também no bairro Aclimação.
Em caso de emergência, a Brigada Florestal Voluntária pode ser chamada pelos telefones 0800-000-3407 e (31) 3407-8260, ou pelo WhatsApp (31) 99954-4254. A Brigada Florestal Voluntária de João Monlevade está sediada na rua Santa Lúcia, 385, no bairro Aclimação, em frente ao Fórum Milton Campos e ao lado da Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Piracicaba (Amepi).

