O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) anunciou durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira (14) que será suspensa a consulta às comunidades escolares sobre a adesão ao modelo de escolas cívico-militares.

Apesar das críticas e do pedido do Sind-UTE que ajuizou ação contra a proposta, Zema afirmou que a decisão de suspender as assembleias foi motivada pelo período de férias escolares. “Chegamos à conclusão de que o prazo ficou exíguo, está coincidindo com as férias. Muitas famílias já tinham programado viagens e não conseguiram participar. Queremos fazer tudo com o maior critério possível, então optamos por adiar as assembleias que vão escutar pais, alunos e toda a comunidade escolar”, disse o governador.

O secretário de Estado de Educação, Igor de Alvarenga, apontou pontos importantes sobre o projeto. “No dia 1 de agosto, os alunos e professores estarão de volta e, com isso, vão ter novas orientações para a retomada do processo de escuta. Todas as comunidades escolares que fizeram as assembleias antes desse período serão respeitadas. Vale lembrar que esse é um processo democrático, que a gente escuta os professores, alunos e os pais”, informou.

Assembleias

As assembleias começaram no fim de junho. A previsão era concluir a consulta em 728 unidades de ensino até o dia 18 de julho. Em João Monlevade, três das quatro escolas cotadas para se tornarem cívico-militares já fizeram as escutas. Como A Notícia informou no fim de semana, Escola Estadual Dr. Geraldo Parreiras, Escola Estadual Alberto Pereira Lima e Escola Estadual Manoel Loureiro, optaram pelo sim. A única escola que ainda nao realizou a consulta é a Luis Prisco de Braga.

Com a decisão do governo, esse processo será retomado após o período de férias. No entanto, ainda não há uma data definida para o reinício das assembleias. Segundo a Secretaria Estadual de Educação (SEE), a suspensão temporária nao afeta as assembleias já realizadas e as decisões tomadas. Novas diretrizes serão comunicadas em breve.

Audiência Pública

Para discutir o assunto, a Câmara Municipal realiza nesta segunda-feira (14) uma audiência pública. A realização é um pedido da vereadora professora Maria do Sagrado (PT).

O projeto tem dividido opiniões em todo o estado. O próprio Sindi-Uti vê o caso com preocupação.”O sindicato acompanha, com preocupação, os impactos desse modelo em outros estados e entende que a imposição desse tipo de estrutura coloca em risco não apenas a organização pedagógica das escolas, mas também os direitos de estudantes, profissionais da educação e das próprias comunidades”, diz o Sindicato.

O sindicato afirma que “defende que a política educacional do Estado seja construída com participação efetiva da comunidade escolar, com transparência, com legalidade e com base em evidências pedagógicas, não em discursos autoritários. A educação pública precisa de valorização profissional, investimento, estrutura, escuta e diálogo”, diz a entidade.