Seis médicos atuantes em João Monlevade estão com os salários atrasados há três meses. O A Notícia recebeu a denúncia que os profissionais, que atuam como generalistas, permanecem trabalhando mesmo sem receber seus vencimentos corretamente.
Eles atuam como plantonistas noturnos na Policlínica Central, no Centro Social Urbano (CSU) do bairro Loanda e na Unidade Básica de Saúde (UBS) Doutor José Nélson Fagundes. O serviço foi contratado pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Piracicaba (Cismepi) junto à empresa ProService. A jornada de trabalho dos médicos é de cinco horas diárias de plantão, de segunda a sexta-feira.

As explicações do consórcio

No último dia 19, a secretária-executiva do Cismepi, Elaine Cristina Barros Caldeira, compareceu à sede do A Notícia, fez vários esclarecimentos e entregou cópias de documentos. Entre eles, estão demonstrativos de pagamento e notas fiscais, que informam que todos os serviços contratados junto à ProService foram devidamente quitados. Também estão presentes os relatórios de atendimento, com assinaturas e carimbos, que comprovam que os profissionais trabalharam normalmente.

O Cismepi também esclareceu que o contrato com a ProService foi encerrado no último dia 25 de julho. Para evitar novos transtornos, o consórcio modificou a forma de contratação, deixando de usar o pregão eletrônico e adotando o credenciamento. Agora, os médicos são contratados diretamente, sem a necessidade de uma empresa “controladora”, o que permite um “rodízio” mais justo de profissionais. Ao A Notícia, Elaine afirmou que nunca tiveram um problema como tiveram com a ProService.

 

Notificações

 

O Cismepi já havia recebido em 10 de junho uma queixa emitida pelo setor de atenção primária da Prefeitura de João Monlevade sobre a inconstância do serviço. Na mesma data, o consórcio emitiu uma notificação à ProService, empresa sediada em Parnamirim (RN), relatando os atrasos no pagamento dos médicos e reclamando das dificuldades de comunicação com a empresa.

Em resposta, a empresa minimizou os transtornos, afirmando que apenas uma das três unidades de saúde contempladas tinha problemas, e que mesmo nesta a cobertura era mantida, “ainda que de forma não fixa”. A ProService ainda afirmou que a gestão de escalas médicas para plantões noturnos enfrenta desafios que fogem ao controle da empresa, que estava revendo seus canais de comunicação e que mantinha seu compromisso com a qualidade do serviço prestado. No dia 19, o Cismepi expediu uma nova notificação, pedindo o envio em cinco dias dos comprovantes de pagamento dos médicos.
Em nota, o Cismepi “reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade, e, sobretudo, com a valorização dos profissionais que prestam assistência à população, não medindo esforços para que situações como esta não se repitam”.

O A Notícia procurou a empresa ProService, que não enviou resposta até o fechamento desta edição.