A Prefeitura de João Monlevade realizou na última sexta-feira (7) uma visita técnica na matriz São José Operário, a mais antiga da cidade, no bairro Centro Industrial. A equipe foi composta por membros da Defesa Civil municipal e da Secretaria de Obras, e foi acompanhada pelo prefeito, Laércio Ribeiro (PT); pelo presidente da Câmara Municipal, Fernando Linhares (Podemos); pelo secretário de Obras, Gustavo Maciel; pela diretora-presidente da Fundação Casa de Cultura, Nadja Lírio Furtado; e pelo pároco, padre Jefferson Cruz Veronês.

Encomendada pela Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira e projetada pelo arquiteto checoslovaco Yaro Burian, a igreja São José Operário foi construída entre 1942 e 1946, sendo a mais antiga do município e constituindo o seu mais conhecido e representativo cartão-postal, com o seu formato de “V” único em todo o mundo.

No entanto, desde que assumiu a paróquia, em fevereiro de 2020, o padre Jefferson Veronês tem encabeçado uma autêntica cruzada para salvar o templo. A movimentação de terra úmida nos fundos da edificação gera infiltrações na parede, que já exibe imensas manchas de mofo, danificando as pinturas da Via-Sacra. Parte do piso traseiro afundou, e a rede elétrica ainda é muito antiga. O sacerdote já realizou repetidos apelos por intervenções para salvar a igreja.

Os técnicos avaliaram cuidadosamente a estrutura, inclusive usando drones para aceder aos pontos mais altos, como o telhado e as calhas. O levantamento constatou que a estrutura principal do templo não apresenta comprometimentos, mas foram identificados pontos de risco em áreas externas, especialmente próximos a um dreno de águas pluviais ao lado da escadaria. Por precaução, a Defesa Civil interditou o trecho, que liga a imagem de Santo Elói à antiga Secretaria Paroquial, com gradis.

Outro ponto avaliado foi a instalação elétrica da igreja, que é antiga e utiliza fiação com isolamento de tecido – um modelo que oferece risco de curto-circuito. A Prefeitura se comprometeu a realizar uma sondagem técnica mais detalhada nos próximos dias para definir as intervenções necessárias e levantar orçamentos para obras de correção e modernização das instalações.

Laércio Ribeiro afirmou que sua administração tem compromisso com a preservação do patrimônio histórico e a segurança da população: “Estamos agindo com responsabilidade e zelo por um dos marcos da nossa história. A Matriz São José Operário representa a fé e a memória do povo monlevadense. Nosso dever é garantir que ela permaneça firme e segura para as futuras gerações”.

Fernando Linhares ressaltou a importância da atuação conjunta entre os poderes públicos e a comunidade: “A Câmara Municipal apóia todas as medidas que visem proteger o patrimônio e a história da nossa cidade. É fundamental unirmos esforços para conservar esse espaço que é símbolo de fé e referência para os monlevadenses”.

Gustavo Maciel explicou que a vistoria faz parte de um trabalho técnico contínuo e que o levantamento servirá de base para as próximas ações: “Nossa equipe está analisando cada ponto identificado, principalmente os sistemas de drenagem e a parte elétrica. Vamos elaborar um diagnóstico detalhado para que as futuras intervenções sejam seguras e compatíveis com o status de bem tombado da igreja”.

Nadja Lírio reforçou que, por se tratar de um imóvel tombado, qualquer intervenção precisa ser criteriosa e seguir normas de preservação: “O tombamento impõe responsabilidades técnicas e legais. Toda obra deve ser cuidadosamente planejada para garantir que as características originais do templo sejam mantidas. Nosso papel é acompanhar de perto esse processo, assegurando que a conservação seja feita com respeito à história e à arquitetura da igreja”.