Os operários do “turno” da Usina de Monlevade rejeitaram todas as propostas de jornada de trabalho ofertadas pela ArcelorMittal. A assembleia realizada na manhã e na tarde de terça-feira (12) pelo Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de João Monlevade (Sindmon-Metal) pontificou a insatisfação dos funcionários da companhia. O auditório do sindicato ficou cheio para a votação.
Na sessão, foram apresentadas quatro propostas de escala de trabalho aos 492 operários votantes, o que significa um comparecimento de 72%. Uma delas era a 6-3-3, que era praticada até fevereiro deste ano, e que recebeu 175 votos, ou 35,56% do total. A escala 6-2 recebeu a preferência de 13 trabalhadores, ou 2,64% dos votantes. Apenas um operário, ou 0,2% do total, optou pela escala 2-2-2. Ninguém deu seu voto à escala 4-1-4-1-4-2.
Ainda houve cinco votos nulos, correspondendo a 1,01% dos votantes, e nenhum voto em branco. Mas a opção mais votada foi a recusa a todas as propostas da empresa: 298 operários rejeitaram todas as alternativas apresentadas, correspondendo a 59,83% do total.

O presidente do Sindmon-Metal, Flávio Cordeiro, relembra que a entidade cumpre com sua missão de representar a classe obreira, e informou quais serão os próximos passos. “Após essa deliberação do trabalhador, nós vamos informar oficialmente à empresa o resultado da assembleia. E vamos nos reunir novamente com os diretores do sindicato, com o nosso jurídico, para ver quais medidas nós vamos tomar a partir daqui”, afirma.
Flávio Cordeiro reiterou que o Sindmon-Metal está disposto a conversar com a ArcelorMittal, e que aguarda o posicionamento da siderúrgica para os próximos passos da negociação. “O sindicato sempre está aberto ao diálogo, vamos informar a empresa, aguardamos que ela nos convoque ou nós também podemos marcar uma reunião, para ver como podemos, né, proceder com a negociação. Mas, obviamente, vamos analisar todos os cenários possíveis, e se for necessário e acharmos que devemos intensificar as mobilizações, assim nós vamos fazer”, reiterou.
Conforme apurado, existe a possibilidade de que, caso as negociações não evoluam, os operários votem a retirada do estado de greve, o que abre as portas para uma paralisação. Todavia, essa interrupção nas atividades é tratada apenas como uma hipótese, caso não se encontre outra solução para o impasse que já dura dois meses.
Relembre
Em 28 de fevereiro, expirou o acordo coletivo que regia a jornada de trabalho para os 684 operários do regime de revezamento da Usina de Monlevade. A ArcelorMittal quer prosseguir com a escala 6-3-3, enquanto o sindicato advoga pela 4-4. Sem acordo, passou a vigorar em março o modelo de turno fixo, no qual os trabalhadores laboram sempre no mesmo horário, sem alternância. Desde a implantação, o Sindmon-Metal externou por várias vezes sua reprovação ao turno fixo, explicando que ele é muito desgastante e traz prejuízos financeiros aos operários que trabalham das 7h às 15h, que perderão o adicional noturno.
A ArcelorMittal contratou uma consultoria para construir jornadas alternativas e que foram apresentadas ao Sindicato. Conforme anunciado, a empresa se comprometeu a restabelecer o adicional de turno de 9,5% para todos os empregados do revezamento. Além disso, também prevê o retorno da chamada “vantagem pessoal” de 11,7% aos trabalhadores que já recebiam o benefício até 28 de fevereiro de 2026.
O pacote inclui ainda 10 dias de folga durante a vigência da tabela, prevista para dois anos, retorno da chamada “Letra D” e manutenção dos adicionais para empregados convocados temporariamente para atuar no horário administrativo por até 90 dias. Sobre os turnos, foram apresentadas duas propostas de escala que ainda não foram implementadas na planta industrial: Turno de revezamento de seis dias trabalhados por 72 horas de folga e turno de revezamento de quatro dias trabalhados por 48 horas de folga. Na assembleia, os trabalhadores rejeitaram a proposta e, até o momento, a companhia e os empregados não chegaram a um denominador comum. Assim, o impasse continua.

