Uma variação da temperatura de conservação das vacinas na Vigilância em Saúde (Visa) de João Monlevade no início deste mês foi tema de debates de forma contundente na reunião da Câmara dessa quarta-feira (22). Tudo porque, nesta semana, o vereador Revetrie Teixeira (MDB) publicou um vídeo em suas redes sociais criticando o órgão municipal pela conservação das doses.
O assunto chegou ao plenário com parlamentares defendendo que a mudança de temperaturas não prejudicou a eficácia dos imunizantes e destacando a importância das vacinas, alegando que a desinformação prejudica a cobertura vacinal do município.
O tema entrou nas discussões através de Marquinho Dornelas (Republicanos). Ele relatou que o caso foi remetido ao “nível central”, o órgão regulador em Belo Horizonte, e que as doses foram consideradas íntegras e aptas para aplicações. O vereador ainda apelou que a comunidade mantenha a confiança e continue a vacinar-se sem receios.
O caso
Alysson Barcelos (Avante), que é enfermeiro, usou seu tempo na tribuna para fornecer mais detalhes sobre o caso. Ao fim do expediente do dia 2 de outubro, a conferência de praxe apontou que a temperatura da câmara fria estava em 4,7ºC, dentro da faixa adequada. No início da manhã do dia seguinte, uma nova verificação habitual acusou que o refrigerador estava com 17,3ºC, excedendo o limite tolerável. Quando o apito soou, o vigilante da Visa não o percebeu. A Vigilância em Saúde imediatamente acionou a rede central para pedir orientações.
O órgão estadual respondeu que, como os frascos ficaram fora da temperatura ideal por menos de 48 horas e em uma temperatura abaixo de 25ºC, as doses estavam preservadas e podiam ser ministradas normalmente, sem riscos para o paciente. Alysson Barcelos também enfatizou que a vacinação é segura e confiável, e estimulou a população a imunizar-se: “Nós já temos uma grande dificuldade no município para poder realizar a vacina e para poder atingir metas. Eu me lembro que, no início do mandato, eu citei que João Monlevade estava numa posição muito ruim, e ainda continua numa posição muito ruim com relação à administração de vacinas. Eu digo: a vacina é confiável! Eu conheço os processos de resfriamento da rede de frios. Levei meu filho na semana passada”.
Em sua fala na tribuna, o vereador Revetrie negou que tenha desestimulado a vacinação, mas alertou para o risco de vacinas contaminadas: “Eu não tomo vacina em sala quente”, disse. Mesmo após falas dos colegas de que órgãos superiores garantiram a integridade das vacinas, Revetrie ainda cobrou mais provas, pois “papel aceita tudo”.

