João Monlevade celebra nesta sexta-feira (8) o Dia da Luta Operária. A data foi estabelecida em honra ao fim da histórica greve de 1986, que paralisou a então Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira (CSBM) durante 23 dias, entre 16 de julho e 8 de agosto. A comemoração foi instituída em 2023, através de um projeto de lei apresentado pelo vereador Belmar Diniz (PT), filho de uma das lideranças do movimento, o futuramente prefeito e vereador Leonardo Diniz Dias (PT). Até o próximo dia 15, uma exposição fotográfica com registros e documentos da época está disponível na sede da Câmara de Monlevade.
Além da mostra, o histórico movimento grevista foi lembrado durante a reunião ordinária dessa quarta-feira (6) da Câmara Municipal. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de João Monlevade (Sindmon-Metal), Flávio Cordeiro, fez uso da Tribuna Popular. Nascido em 1986, ele afirmou que a sua geração sindical “colhe os frutos” do movimento iniciado há 39 anos, e destacou a sua importância para o atual movimento.
Lembranças
Francisco de Paula Santos, mais conhecido como Francisco “Barcelona”, fez uma reconstituição verbal daqueles tensos 23 dias, no qual os grevistas ocuparam as instalações da Usina de Monlevade. Ele recordou que a então direção da CSBM ordenou o corte da eletricidade e do restaurante, o que forçou os integrantes do movimento a levarem de casa a sua alimentação: “Nós não falávamos que estávamos em greve. Nós falávamos que queríamos trabalhar, bastando apenas o acordo”.
Importantes para a mobilização foram as mulheres dos operários, que organizaram uma cozinha improvisada para nutrir os grevistas. Famílias visitavam seus parentes acantonados. Uma Missa foi realizada à frente da Portaria Central. Francisco recorda-se como os trabalhadores que se uniram ao movimento estavam tensos, pois muitos faziam uso de remédios, e existia o temor de demissões: “Foi muito difícil sustentar essa greve. […] As famílias viveram um momento de grande pressão”.
A greve ocorreu durante o governo de José Sarney (PMDB, 1985-1990). Assolado pela hiperinflação, o Brasil sofria com o Plano Cruzado, um pacote de medidas econômicas que falhou ao controlar os preços. Ainda em 1986, foi eleita a Assembleia Nacional Constituinte, que redigiu a Carta Magna que vigora desde 1988 e teve João Paulo Pires de Vasconcelos (PT), uma das lideranças da greve monlevadense, como um de seus membros.
Ao fim de sua fala, Francisco “Barcelona” reforçou o que foi construído ao longo dos anos pelo movimento laboral: “O trabalhador de Monlevade se orgulha de sua história, de sua cidade e do seu sindicato”.

