A Prefeitura de João Monlevade quer reunir-se com a Diocese de Itabira – Coronel Fabriciano para viabilizar uma solução para a matriz São José Operário. O templo enfrenta sérios problemas estruturais há anos, e o padre Jefferson Cruz Veronês já lançou reiterados apelos públicos por providências para salvar a edificação, tombada desde 2018 como patrimônio histórico municipal.

Na última semana, a Prefeitura enviou nota sobre visita ao local e afirmou que acompanha o caso com atenção. Além disso, laudos de recente vistoria realizada indicam que não houve grandes alterações em relação à vistoria feita em novembro do ano passado. Conforme o Executivo, os documentos sobre a atual situação da estrutura já foram enviados para entidades envolvidas.

Danos

Nesta semana, o A Notícia visitou a igreja, e pôde constatar a degradação da estrutura. No exterior do vértice oposto à casa paroquial, há uma rachadura na base da parede, justamente onde ela encontra o piso da escadaria. As trincas também são notadas no interior do templo, cortando o mármore que reveste as suas laterais. O piso está cedendo por dentro e por fora, e num dos corredores laterais internos da matriz, já é possível que uma pessoa tropece no “degrau” formado.

O piso de tacos de madeira também apresenta vários pontos danificados. Manchas de mofo nas paredes já são bastante evidentes e se espalham por vastas regiões da igreja, especialmente, em seus fundos. Quadros da Via-Sacra precisarão de restauro.
A situação também é lamentável em pontos menos visíveis à maioria dos fiéis. O forro em PVC da sacristia está caindo. No salão paroquial, localizado no andar inferior da matriz, há vários tacos faltando no piso. Em algumas janelas, faltam vidros e há vazamento nos banheiros. O padre Jefferson Veronês já alertou publicamente para o risco de incêndio, pois a fiação elétrica da matriz possui revestimento de pano, propício para incêndios em caso de curto-circuito.

Mas o quadro mais crítico está num dos segmentos da escadaria externa, que foi interditado pela Defesa Civil. Abaixo dele, falta terra para sustentá-lo, havendo apenas um buraco de dimensões ainda desconhecidas. O calçamento de pedras apenas cobre o vazio, e corre risco de ceder. Segundo o padre Jefferson Veronês, a Defesa Civil introduziu uma régua de um metro dentro do vão, mas não conseguiu encontrar o seu leito. Existe a desconfiança de que exista acúmulo ou movimentação de água debaixo da estrutura.

 

Preocupação

A zeladora da igreja, Ilania dos Santos, conta que o técnico que instalou câmeras de vigilância no templo percebeu que a calha está fora da parede, o que a deixa exposta ao acúmulo de água. Ela conta que o estado da matriz gera tensão pelo risco de os danos se agravarem: “A gente fica apreensiva pela infiltração, porque a gente não sabe de onde que ela vem, qual o problema maior que pode causar, porque a gente está aqui dia a dia”.
Ilania pede que os poderes públicos se empenhem em encontrar uma saída para recuperar e restaurar a matriz. “A gente pede às autoridades que olhem com carinho, porque é um bem, um patrimônio. E todos os fiéis vão ficar agradecidos, por estar conservando um bem que veio acompanhando os filhos deles”.