A mobilização de alunos, professores e servidores da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) garantiu uma importante vitória para a instituição nesta semana. Todos os prédios da universidade em Minas, incluindo a unidade do bairro Santa Bárbara, em João Monlevade, foram retirados da lista de bens classificados como “subutilizados” e que estariam à venda pelo Governo de Minas.

A medida, prevista no Projeto de Lei 3.733/2025, tratava da alienação de bens públicos e poderia afetar diretamente a estrutura física da Uemg em várias cidades. Em Monlevade, o risco de perda do prédio que abriga parte das atividades da universidade mobilizou a comunidade acadêmica, que organizou atos, campanhas e manifestações em defesa da instituição.

A diretora da UEMG João Monlevade, professora Júnia Alexandrino, destacou o significado da conquista. “O prédio do bairro Santa Bárbara é essencial para o funcionamento da universidade. Ali realizamos atividades de ensino, pesquisa e extensão, incluindo projetos que levam à comunidade o conhecimento desenvolvido pelos alunos dos cursos de Engenharia. Perder esse espaço seria comprometer a própria missão da universidade”, afirmou.

A unidade abriga turmas dos 9º e 10º períodos de Engenharia é considerada estratégica por possuir área para expansão e desenvolvimento de novas atividades acadêmicas. Além da unidade do Santa Bárbara, a instituição ocupa também o prédio da antiga Escola Estadual Padre Drehmanns, no bairro Baú, e outro imóvel na avenida Getúlio Vargas, onde funcionam laboratórios de cursos de Engenharia.

Protesto

Mesmo com a exclusão dos imóveis do projeto de alienação, a comunidade universitária segue mobilizada. Isso porque outro texto, o Projeto de Lei 3.738/2025 ainda tramita na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e propõe a transferência da gestão da UEMG para a União. Isso, segundo representantes da instituição, coloca em risco a autonomia universitária e a própria existência da universidade estadual.

Na última terça-feira (7), estudantes, professores e técnicos-administrativos foram às ruas em um ato público em João Monlevade, com carreata, buzinaço e passeata que tomou as principais avenidas da cidade. Os manifestantes entoaram gritos de resistência, como “UEMG, quem conhece defende!” e “Não à venda da UEMG!”, reafirmando o compromisso com a educação pública, gratuita e de qualidade. O vereador Thiago Titó (MDB) participou do ato.

Compromisso

A UEMG João Monlevade completará em breve 19 anos de atividades, formando profissionais e contribuindo para o desenvolvimento regional por meio do ensino, da pesquisa e da extensão. Os participantes reforçaram que a mobilização continuará até que todos os projetos considerados uma ameaça à universidade sejamarquivados. “A Uemg é um patrimônio do povo mineiro. Defender a universidade é defender o futuro da nossa região e do nosso Estado”, concluiu Júnia Alexandrino.