Antes que o aço produzido pela ArcelorMittal Monlevade chegue à indústria automotiva, à construção civil ou à fabricação de pneus, sua história começa a poucos quilômetros da usina. É na Mina do Andrade, em território de Bela Vista de Minas, que tem início uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva que sustenta a siderurgia da região há mais de nove décadas.

Integrada à Usina de Monlevade, a mina fornece o minério de ferro utilizado na produção do aço, formando um sistema logístico que reduz distâncias, otimiza o abastecimento e garante maior integração entre extração e transformação industrial. O transporte é feito por ferrovia até a planta siderúrgica, mantendo um fluxo contínuo de matéria-prima para a produção.

Hoje, a Mina do Andrade possui capacidade instalada para produzir até 3,5 milhões de toneladas de minério por ano, embora a produção anual de sinter feed, principal produto destinado à usina, esteja em torno de 1,5 milhão de toneladas.

Uma história ligada à origem da usina

A relação entre a mina e a siderúrgica remonta à própria criação da Belgo-Mineira. Quando a antiga Fazenda Monlevade foi adquirida pelo grupo ARBED, na década de 1920, a existência das reservas minerais da região já era considerada um dos fatores decisivos para a instalação da futura usina.

Com o lançamento da pedra fundamental da siderúrgica, em 31 de agosto de 1935, consolidou-se também o modelo de produção integrada que marcaria o desenvolvimento industrial de João Monlevade. Desde então, a Mina do Andrade tornou-se peça fundamental para garantir o fornecimento de minério à operação siderúrgica. Ao longo das décadas, a extração evoluiu em tecnologia, segurança e gestão ambiental, acompanhando as transformações da própria indústria do aço.

Mineração responsável

Nos últimos anos, a operação passou a incorporar uma agenda mais intensa de sustentabilidade. Um dos marcos desse processo, conforme a ArcelorMittal, é a busca pela certificação internacional IRMA (Initiative for Responsible Mining Assurance), considerada uma das principais referências mundiais em mineração responsável.

A certificação avalia critérios relacionados à segurança dos trabalhadores, gestão ambiental, relacionamento com comunidades, direitos humanos, governança e transparência. Em 2026, a ArcelorMittal informou que a unidade avançou nas etapas de avaliação para atender aos padrões internacionais exigidos pela iniciativa. Segundo a empresa, o objetivo é alinhar a produção mineral aos compromissos globais de sustentabilidade assumidos pelo grupo.

O primeiro elo da cadeia do aço

A Mina do Andrade representa o início de um processo que só termina quando o aço chega às indústrias consumidoras. Depois de extraído e beneficiado, o minério segue para a Usina de Monlevade, onde passa pelas etapas de sinterização, redução, produção de aço líquido e laminação.

O resultado são produtos de alto valor agregado, como o fio-máquina utilizado em cordoalhas para pneus, molas, cabos, componentes automotivos e aplicações na construção civil. Essa integração é considerada um dos diferenciais da operação da ArcelorMittal no Brasil, ao reunir mineração, siderurgia e logística em um único sistema produtivo.

Desenvolvimento regional

Além de abastecer a usina, a Mina do Andrade também movimenta a economia do Médio Piracicaba. A operação gera empregos diretos e indiretos, contrata fornecedores locais e mantém uma ligação histórica com Bela Vista de Minas e João Monlevade, municípios cuja trajetória econômica foi profundamente influenciada pela mineração e pela siderurgia.
Por abrigar a Mina, Bela Vista recebe repasses mensais variáveis de Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), operada pela ArcelorMittal. Os valores mensais recentes conforme a Agência Nacional de Mineração (ANM) giram em torno de R$1,4 milhão por repasse na média geral.